Todos pensámos fazê-lo, poucos arriscaram. Despedir-se sem novo emprego garantido envolve cada vez mais riscos. Mas pode ser uma oportunidade de mudar para melhor
"Estava numa reunião e comecei a fazer desenhos. Um colega anunciou que em Setembro ia trabalhar para as vindimas e eu só imaginava a sorte dele. Comecei a pensar que gostava de escrever e que devia sair da empresa. Talvez em Setembro, pensei. Olhei para o relógio. Estava um calor de morte naquela sala. E se fosse hoje? E se fosse agora? Saí, vim para a rua, tirei a gravata, mesmo à filme. Nunca mais voltei." O guionista João Quadros recorda aquele dia de há 16 anos como "o mais feliz da sua vida". Aos 30, era director de recursos humanos, ganhava "optimamente", mas não era feliz. A decisão foi tomada a quente e valeu a perplexidade de colegas e família: "Pensaram que estava maluco."Largar de forma voluntária um emprego fixo a troco de uma posição incerta no mercado de trabalho pode parecer insensato, mas também pode ser proveitoso. "É a forma errada de pensar mas a certa para vencer", defendeu um dos mais respeitados criativos da publicidade, Paul Arden, no livro "Whatever You Think, Think The Opposite". "Se fores bom, e estiveres no emprego certo, a tua carta de demissão não vai ser aceite. Se aceitarem a tua demissão, estavas no emprego errado e é melhor continuares à procura."
O preço da liberdadeA decisão envolve riscos proporcionais aos compromissos financeiros. Na altura, João Quadros não tinha filhos e era solteiro. Em Setembro foi para as vindimas com o amigo. No mês seguinte, depois de participar num curso de escrita criativa, já recebia tanto como no emprego anterior, com a diferença substancial de que fazia o que sempre quis. Escreveu para Herman José (lembra-se do "Eu é que sou o presidente da junta?"), Maria Rueff e Bruno Nogueira. Hoje é um dos guionistas do programa "Lado B". Não tinha contactos, nem formação superior na área, mas tinha o mais importante: um objectivo. Filipe Fidanza, director-geral da Work Shop - Centro de Orientação de Carreira, confirma-o: "A mudança deverá transmitir um rumo; não deve existir sem explicação fundamentada." Não é preciso sentir-se infeliz para decidir despedir-se. "A mudança é benéfica quando a actual posição já não constitui um desafio", adianta Fidanza. Talvez tenha sido por isso que Daniel Deusdado abandonou a revista sobre empreendedorismo que ajudara a criar, a "Ideias e Negócios", que até incluía a rubrica "Despeça-se já!". Em 2001 embarcou com a mulher num projecto próprio de produção de conteúdos para média, a Farol de Ideias. "Na primeira noite não dormimos, a pensar no que tínhamos feito. O primeiro ano foi muito difícil, tal como é para todas as empresas, dizem os estudos." Se está a ficar entusiasmado, Filipe Fidanza alerta que o mercado de trabalho perdeu valor nos últimos dois anos. "Os próprios orçamentos para as novas posições são de forma global inferiores, diminuindo a capacidade de atrair quadros 'empregados'". A legislação protege quem tenha um emprego estável e convida à pouca mobilidade. "Não haverá muitos quadros que se disponibilizem a dar um salto no desconhecido porque, na prática, isso tem um preço", reforça. Os que o fazem sucumbem a algo de incontornável na expressão "despeço- -me": uma inversão de papéis com a entidade patronal que exacerba o ego, traduz João Quadros. Um "alívio" para uns, "liberdade" para outros. Em qualquer das situações, um novo começo. por Margarida Videira da Costa, Publicado em 15 de Julho de 2010 Jornal i
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terça-feira, 20 de julho de 2010
Ó FLÁVIOOOOOOOOOOOO!!
Tomei a liberdade de copiar este texto do blog de uma amiga porque não saberia descrever melhor. Acrescento apenas que deve ser um rapaz que anda de metro todos os dias porque tinha passe e não daqueles cartõezinhos verdes descartáveis que na viagem seguinte já mal funcionam. E contrariei praticamente toda as "regras" deste blog, colocando fotos pessoais porque, apesar de saber que ninguém deve ler esta página, seria incrível se o nosso "salvador de Sodré/Oeiras" nos reconhecesse pela foto onde, pouco depois de o termos perdido, brindávamos agradecidas por tanta solidariedade/simpatia em terras do Sul. OBRIGADO FLÁVIO!
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