sexta-feira, 6 de junho de 2014
sábado, 22 de fevereiro de 2014
TAXI n.º 273
Sobre a miséria de ter gasto todos os créditos de bateria dos dois
gravadores com políticos… Numa noite em que voltei a questionar – desta vez tão
profundamente e dramaticamente ao ponto de quase fazer aquele telefonema adiado
da desistência – o que estou eu a fazer/investir/lutar numa função que não domino
por não ter competência, eis-me salva por aquilo que nunca soube explicar: o
amor aos táxis misturado com a noite, misturado com a chuva da Invicta.
Admito, de imediato, que não saberei expressar-me bem. Não pelo travo
de cevada ainda leve. Mais pelo medo, pela culpa, pelo desespero de ter sido (SER)
incompetente. E mais ainda pela certeza de que não se expressa uma sensação que
se mistura com chuva e com noite…
O sr. José Barreto, sem o saber, salvou-me a madrugada. O taxista/poeta,
sem o ter percebido, provavelmente e ainda que correndo o risco de parecer, outra
e mais uma vez dramática, salvou-me hoje a vida.
Quis chegar rápido a casa tão fortemente quanto quis que a viagem se
prolongasse.
Começou por ser um poema sobre a Invicta, acabou no poema sobre a nudez
de Eva, depois de uns tantos versos inspirados em Garrett, em Nasoni e até nas
imagens de José Luís Peixoto. Todos de “punho” próprio. “Inspiro-me ao ver, na
postura, as gentes a passar”.
Perguntei-lhe se amava conduzir e se amava a noite… Só assim perceberia
o “desaproveitamento” de talento apostado num táxi… “Sou um volante, menina… É
o que sei ser… Um volante”.
Que miséria ter gasto a bateria de dois gravadores com os políticos que
nem soube interpretar bem: nem a gosto profissional/pessoal e muito menos a contento da
chefia. Muito menos com a destreza e rapidez que busco como apanágio de
mais-valia para a tarefa que me destinam…
Numa noite em que só queria chegar a casa para esquecer a incompetência,
fui salva por um táxi, salva por um taxista/poeta.
“Gostava de ter gravado esta viagem…”, disse-lhe, depois de confessada a profissão e o lamento de estar a fazer parte de um possível último serviço. “Chame-me, menina, a
qualquer hora da noite e onde esteja e dou-lhe boleia e poemas”, respondeu-me o
sr. José Barreto que até quis fazer desconto, quando merecia era ser pago pelo
transporte/literatura em dobro, quando lhe contei, com uma
espontaneidade e à vontade que nem nos confidentes mais próximos reconheço, o
porquê de não necessitar de fatura no fim e o porquê de não partilhar o mesmo
amor à estrada.
Menos de 10 minutos de viagem (algures entre a Casa da Música e a Fundação Cupertino Miranda em passo largo para o Hospital S.
João, num pingo pela certeza de que só a chuva lava a convulsão cerebral) pareceram horas inteiras de alento oferecido por uma generosidade simples só reservada aos seniores e aos sábios – o taxista/poeta
sr. José Barreto do n.º 273.
Que miséria não saber expressar-me bem agora mesmo. Nem mais travo de
cevada desempecilha isto: esta fraca incursão pelo desabafo.
Que miséria porque a poesia de um trajeto frio e com chuva, numa
Invicta deserta que tinha tudo para me engolir viva tal era (É) a sensação de
incompetência, merecia.
Ganhei a noite dentro de um táxi depois de horas a "ganhar a vida" com política.
Perdi a noite por falta de bateria e de memória porque os poemas
mereciam mais precaução, mais desenvoltura no resumo escrito em forma de agradecimento
ao poeta/taxista.
Perdi a vida na conclusão, obvia ainda que outra vez adiada, de que
falta capacidade, destreza, rapidez, onde sobra incompetência.
terça-feira, 11 de fevereiro de 2014
Da vontade ao assombro!
Da coragem (“coragem” talvez
não… foi mais “vontade”) à…
Da vontade à reflexão
(“reflexão” é vago e simples… foi mais “assombro”).
Da vontade ao assombro com
medo!
Infelizmente, medo!
Irritam-me as “verdades
absolutas” no “auge” dos 30 anos.
E a quantidade de vezes que
me assusto ao ouvir repetidamente “isso é assustador”.
O absoluto do “isso é
assustador” assombra. Há falta de modéstia perante o que de facto é o “susto”
quando se repete como uma “verdade absoluta” que isto ou aquilo é “assustador”.
E a credibilidade foi-se como a vontade… Foi-se!
Eis a frustração então…
E com a frustração não lido
bem! Torno-me defensiva! Invento argumentos! Empolo justificações! É preciso
ganhar a discussão à força toda!
Promete-se secretamente que
se vai medir a “vontade” para a próxima vez. Pelo sossego! Pelo respeito ao
“susto”!
Desculpa lá!
Desculpa porque o pontapé de
saída até foi dado por mim… A interrupção do jogo também… Correndo o risco de,
daqui em diante, ganhar apenas por falta de comparência tua, desculpa lá!
E obrigadinhos! Por nada
neste caso! Mesmo por nada… Infelizmente! Por culpa mutua: há quem se assuste
muito e quem respeite o susto…
Só que há quem dê mais valor ao "respeitar o susto”... O que é, acima de tudo, TAMBÉM legítimo!
segunda-feira, 16 de setembro de 2013
QUEIXA DAS ALMAS JOVENS CENSURADAS
Dão-nos um lírio e um canivete
e uma alma para ir à escola
mais um letreiro que promete
raízes, hastes e corola.
Dão-nos um mapa imaginário
que tem a forma de uma cidade
mais um relógio e um calendário
onde não vem a nossa idade.
Dão-nos a honra de manequim
para dar corda à nossa ausência.
Dão-nos um prémio de ser assim
sem pecado e sem inocência.
Dão-nos um barco e um chapéu
para tirarmos o retrato.
Dão-nos bilhetes para o céu
levado à cena num teatro.
Penteiam-nos os crânios ermos
com as cabeleiras das avós
para jamais nos parecermos
connosco quando estamos sós.
Dão-nos um bolo que é a história
da nossa história sem enredo
e não nos soa na memória
outra palavra que o medo.
Temos fantasmas tão educados
que adormecemos no seu ombro
somos vazios despovoados
de personagens de assombro.
Dão-nos a capa do evangelho
e um pacote de tabaco.
Dão-nos um pente e um espelho
pra pentearmos um macaco.
Dão-nos um cravo preso à cabeça
e uma cabeça presa à cintura
para que o corpo não pareça
a forma da alma que o procura.
Dão-nos um esquife feito de ferro
com embutidos de diamante
para organizar já o enterro
do nosso corpo mais adiante.
Dão-nos um nome e um jornal,
um avião e um violino.
Mas não nos dão o animal
que espeta os cornos no destino.
Dão-nos marujos de papelão
com carimbo no passaporte.
Por isso a nossa dimensão
não é a vida. Nem é a morte.
e uma alma para ir à escola
mais um letreiro que promete
raízes, hastes e corola.
Dão-nos um mapa imaginário
que tem a forma de uma cidade
mais um relógio e um calendário
onde não vem a nossa idade.
Dão-nos a honra de manequim
para dar corda à nossa ausência.
Dão-nos um prémio de ser assim
sem pecado e sem inocência.
Dão-nos um barco e um chapéu
para tirarmos o retrato.
Dão-nos bilhetes para o céu
levado à cena num teatro.
Penteiam-nos os crânios ermos
com as cabeleiras das avós
para jamais nos parecermos
connosco quando estamos sós.
Dão-nos um bolo que é a história
da nossa história sem enredo
e não nos soa na memória
outra palavra que o medo.
Temos fantasmas tão educados
que adormecemos no seu ombro
somos vazios despovoados
de personagens de assombro.
Dão-nos a capa do evangelho
e um pacote de tabaco.
Dão-nos um pente e um espelho
pra pentearmos um macaco.
Dão-nos um cravo preso à cabeça
e uma cabeça presa à cintura
para que o corpo não pareça
a forma da alma que o procura.
Dão-nos um esquife feito de ferro
com embutidos de diamante
para organizar já o enterro
do nosso corpo mais adiante.
Dão-nos um nome e um jornal,
um avião e um violino.
Mas não nos dão o animal
que espeta os cornos no destino.
Dão-nos marujos de papelão
com carimbo no passaporte.
Por isso a nossa dimensão
não é a vida. Nem é a morte.
Natália Correia, Dimensão
Encontrada, 1957
,,,,
terça-feira, 6 de agosto de 2013
Linha Amarela
Mais um dia que acaba
e a cidade parece dormir,
da janela vejo a luz que bate no chao
e penso em te possuir.
Noite após noite, ha ja muito tempo,
saio sem saber para onde vou,
chamo por ti, na sombra das ruas,
mas só a lua sabe quem eu sou.
Lua, lua,
eu quero ver o teu brilhar,
lua, lua, lua,
Eu quero ver o teu sorrir.
e a cidade parece dormir,
da janela vejo a luz que bate no chao
e penso em te possuir.
Noite após noite, ha ja muito tempo,
saio sem saber para onde vou,
chamo por ti, na sombra das ruas,
mas só a lua sabe quem eu sou.
Lua, lua,
eu quero ver o teu brilhar,
lua, lua, lua,
Eu quero ver o teu sorrir.
Leva-me contigo,
mostra-me onde estas,
é que o pior castigo
é viver assim, sem luz nem paz,
sozinho com o peso do caminho
que se fez para tras...
Lua, eu quero ver o teu brilhar,
no luar, no luar.
mostra-me onde estas,
é que o pior castigo
é viver assim, sem luz nem paz,
sozinho com o peso do caminho
que se fez para tras...
Lua, eu quero ver o teu brilhar,
no luar, no luar.
Homens de chapéu e cigarros compridos
vagueiam pelas ruas com olhares cheios de nada,
mulheres meio despidas encostadas à parede
fazem-me sinais que finjo nao entender.
Loucas sao as noites, que passo sem dormir,
loucas sao as noites.
Os bares estao fechados ja nao ha onde beber,
este silencio escuro nao me deixa adormecer.
Loucas sao as noites.
vagueiam pelas ruas com olhares cheios de nada,
mulheres meio despidas encostadas à parede
fazem-me sinais que finjo nao entender.
Loucas sao as noites, que passo sem dormir,
loucas sao as noites.
Os bares estao fechados ja nao ha onde beber,
este silencio escuro nao me deixa adormecer.
Loucas sao as noites.
Nao ha saudade sem regresso, nao ha noites sem
madrugada,
Ouco ao longe as guitarras, nas quais vou partir,
na névoa construo a minha estrada.
madrugada,
Ouco ao longe as guitarras, nas quais vou partir,
na névoa construo a minha estrada.
Loucas sao as noites, que passo sem dormir,
loucas sao as noites.
Loucas sao as noites, que passo sem dormir,
loucas sao as noites...
loucas sao as noites.
Loucas sao as noites, que passo sem dormir,
loucas sao as noites...
quinta-feira, 11 de julho de 2013
massa
A solidão tem tanto de perigosa como de sagrada. Estar só,
numa espécie de isolamento voluntário, decidido e conquistado, pode tornar-nos
vermes como também pode transformar-nos heróis. Acho que a solidão cria um misto
de verme e de herói. Reconhece-se o ser rastejante mas também o ser feito de uma
qualquer massa inquebrável. E orgulho! Muito mais do que medo! A desejar e a
berrar e a resistir e a fazer tantas e tantas vezes de conta, o orgulho nessa
massa substitui o medo. A solidão carrega o perigo da crueldade. Os humanos que
se alimentam de outros humanos, canibais e vampiros de ideias e de sentimentos,
para se fortalecerem. Os vermes! Um dia heróis! Mas quase sempre canibais! Canibais
quando sugam momentos de felicidade alheios ou mesmo imaginados para alimentar
a alma e o corpo carentes de toque. Vampiros, quando saboreiam sentimentos que não
lhes pertencem como se fossem seus, só para armazenarem defesas que lhes permitam
rastejar mais. E eis outra vez o orgulho! Acho que é o orgulho do verme que tem
um quê de herói, mas consciência plena de que, no fundo, lhe sabe melhor a força
e a certeza e a convicção e os dentes cerrados. Sabe-lhe melhor o pó da terra. Sabe-lhe
melhor a água turva. E, é assim, que a solidão se torna sagrada… Na força!
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quarta-feira, 10 de julho de 2013
calor + berros = VIDAS!
CULPA: TNT Todos no TOP da Comercial!
NOME: A música do verão 2013!
CONCLUSÃO: Vidas!
E é para cantar aos BERROS, apesar da caminhada ser de phones algures num quarteirão adormecido de calor e de paragem letiva!!!!!!!
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terça-feira, 29 de janeiro de 2013
quarta-feira, 7 de novembro de 2012
MTF // aprender as estações do ano
A alegria de uma criança ao descobrir que tudo pode ser
usado num desenho… Aparas de lápis dão flores… Algodão é perfeito e fofinho e
branquinho para bonecos de neve… Uma
incursão ao monte mais próximo e temos pauzinhos, folhinhas e castanhas… Uma
aventura na despensa da vovó para surripiar guardanapos de cores que fazem
maravilhosos mares e extensões de areia… Tampas, fitas de prenda, botões, restos de lã, flores secas…
E a base do tacho gera a magia das texturas... E o
pijama velho do avô pode ser uma nova toalha de praia a condizer com o
guarda-sol? Sim?
“SIMMMM! E pomos duas: uma pa mim e outa pa ti. E fazemos
uma bandeira verde pra podermos ir pras pocinhas da Póvoa?”
por Super Pisco (4) e Super Tia (28)
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quinta-feira, 11 de outubro de 2012
#8_ Ver um jogo do Benfica na Luz
Lisboa,06 out – A experiência “Ver um jogo do Benfica na Luz”, item de “A
Minha Lista”, listagem feita em dezembro de 2011 com o intuito de concretizar
“coisas simples e não muito caras nunca experimentadas” ao longo de 2012, pela
autora deste blogue, trazia entre “parenteses” e a “negrito” carregado a
seguinte frase: “Não pode ser contra o
VITÓRIA”.
Fique registado! Seja considerado ponto assente! Que… A curiosidade de
ver o voo da águia é uma curiosidade apenas… A simpatia por ambientes grandes e
sentimentos coletivos não é mais do que isso mesmo… São simpatias e curiosidades!
Ponto final. Amor verdadeiro, esse, só a D. Afonso Henriques!
E foi assim… “O Benfica precisou apenas de dois minutos para esquecer
58 de desvantagem e um penálti defendido e vencer o Beira-Mar, por 2-1, em jogo
da sexta jornada da I Liga de futebol, que garantiu hoje a liderança aos ‘encarnados’”,
segundo a colega (AMG) que, tão maravilhosamente, comentou o encontro…
Segundo o speaker eramos 28.305 espetadores. A autora do blogue entre
os benfiquistas… Para sentir, perceber, sentir e encerrar o tema: “simpatias e
curiosidades”. Sem companhia – ainda que com o “Grande Chefe”, a “Minha Coisa
Preferida” e um “Super Papi” em canal direto telefónico – a autora esteve, mais
do que acompanhada, adotada pelos seguranças que perceberam a falta de traquejo
junto às portas e torniquetes, acolhida pelos colegas de setor que se comoveram
com a explicação desta “experiência”.
E regressar? À Luz… Talvez! Cumprida a ida em 2001 para ver velho e cumprida
a decisão de 2012 para sentir o novo… Talvez! Mas sem sofrimento, que para
sofrer basta o tal que a “negrito” e letras garrafais se escreve, o que dá pelo
nome de CONQUISTA!
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