domingo, 26 de fevereiro de 2012

sonhar contigo

Com mãos de veludo
Negras como a noite
Tu deste-me tudo
E eu parti

Um homem trabalha
Do outro lado do rio
Com as suas duas mãos
Repara o navio
Está sozinho e triste
Mas tem de aguentar
Já falta tão pouco
Para poder voltar

Vai ficar tudo bem
Isso eu sei
Vai ficar tudo bem
Isso eu sei
quando o sol
Se juntar ao mar
E te voltara beijar
Só mais uma vez, só mais uma vez
Só mais uma vez, só mais esta vez

Com adeus começa
Outro dia igual
Ficou a promessa
Escondida no lençol
Negras como a noite
Vindas de outra terra
As mãos de veludo
Estão á sua espera

Vai ficar tudo bem
Isso eu sei
Vai ficar tudo bem
Isso eu sei
quando o sol
Se juntar ao mar
E te voltara beijar
Só mais uma vez, só mais uma vez
Só mais uma vez, só mais esta vez

EU NÃO ME ESQUECI

Eu nunca tentei
Eu nunca escondi
Eu nunca te amei
Eu nunca deixei
Mas nunca por ti
Nunca antevi
Nunca fiquei a um passo de ti
Nunca me afastei pra fora e nos vi
Pra ver quão longe estava de ti

Eu nunca dei um passo atrás
Que não fosse capaz de um dia o emendar
Sonhar com um outro futuro muito menos escuro
Que nos ponha a brilhar

Eu nunca tentei
Eu nunca escondi
Eu nunca te amei
Eu nunca deixei
Mas nunca por ti
Nunca antevi
Nunca fiquei a um passo de ti
Nunca me afastei pra fora e nos vi
Pra ver quão longe estava de ti

Eu nunca dei um passo atrás
Que não fosse capaz de um dia o emendar
Sonhar com um outro futuro muito menos escuro
Que nos ponha a brilhar

Durou um momento
Mas está bem
Não aconteça a mais ninguém

Eu nunca dei um passo atrás
Que não fosse capaz de um dia o emendar
Sonhar com um outro futuro muito menos não
Que nos ponha a brilhar

Querer dar mais um passo
Sem temer o fracasso
E por fim me entregar
Sinto uma calma estranha
Que em mim se entranha
E deixa descansar

Eu nunca dei um passo atrás
Que não fosse capaz de um dia o emendar
Sonhar com um outro futuro muito menos não
Que nos ponha a brilhar

Querer dar mais um passo
Sem temer o fracasso
E por fim me entregar
Sinto uma calma estranha
Que em mim se entranha
E deixa descansar

Eu nunca dei um passo atrás
Que não fosse capaz de um dia o emendar
Sonhar com um outro futuro muito menos não
Que nos ponha a brilhar

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

simplEs

Hoje recuperam-se “E”xcertos de um texto de há muito tempo atrás.
“Muito tempo atrás” – daquele que não se contabiliza em segundos, minutos, horas, dias, meses, anos…
É assim quando a intensidade faz sombra à razão.
Relativo talvez!
Resumindo: poder-se-ia chamar à reflexão nocturna “edições”.
A palavra certa até começa também por “E”…
Mas não se gaste agora, e nesta necessidade de devaneio, o sinónimo da palavra “A”.
O seu a seu dono e MUITO RESPEITO pelo dono d(e)as(sa) palavra(S)…
Fiquemos com o “E” de “Era”.
(e que a noite decida se antes do substantivo se colocará um adjectivo… quem sabe “nova”?)
Em Setembro de 2008 escreveu-se qualquer coisa assim:
“Recentemente, no Verão que é rico em festivais de folclore e em eventos organizados e preparados com todo o brio por parte das colectividades, subi a um palco para receber uma lembrança que, gentilmente, o presidente do Rancho Local me encarregava de fazer chegar ao meu director… Sem qualquer sede de protagonismo (e até bastante corada) constatei ali, em cima do palco, o quanto é importante, para as colectividades de um Concelho, um Jornal Local. Quantas boas iniciativas em prol da comunidade passariam em branco não fossem os as nossas objectivas e as entrevistas entusiasmadas que os líderes das associações nos concedem?”
CONTINUAVA…
“Saberíamos que em Guifões se está a construir um forno tradicional para ensinar os mais novos a cozer a broa à moda antiga? Saberíamos que em Esposade se pretende reconstruir uma casa da lavoura para perpetuar as origens agrícolas daquele lugar de Custóias? Saber-se-ia que os Vareirinhos de Matosinhos precisam de uma sede como de “pão para a boca” ou que o clube ADRA, de Leça do Balio, alimenta a esperança de continuar a tirar da rua meninos e meninas que poderão ver na prática do Desporto uma forma de evoluir?”
ENTRETANTO ACRESCENTOU-SE
“Saberíamos que as meninas do Lar de Santa Cruz precisam de ajuda para ultrapassar mais um Inverno frio? Ou que a Associação Portuguesa de Portadores de Ictiose – uma patologia desconhecida pela maioria e que põe na calha da discriminação muitos doentes todos os dias – nasceu, já foi à Assembleia da República, realiza conferências Europa fora, campanhas de angariações de fundos “in” ou “out” fronteiras Concelhias e que a sua fundadora é de cá? Seria conhecida a história dos telefonistas da autarquia que concorreram a líderes da ACAPO? Ou a história do menino que precisava – E CONSEGUIU – de um aparelho auditivo para não ficar, no auge da juventude, totalmente surdo? Os holofotes estariam virados para os Bombeiros Voluntários de Leixões e para a crise, não fosse o Semanário Local ter publicado peça sobre a assembleia-geral onde o buraco financeiro foi revelado?”
RECORDOU-SE UM PASSADO MAIS RECENTE (já passado no entanto)
“Outra vez, essa mais recente, ao receber – a pedido, sublinhe-se, da direcção – um galardão entregue pela Associação das Colectividades lá da Terra, lembrou-se a ‘escrevinhadora’ de dizer que tinha estado na véspera no aniversário do Alto do Avilhõ, uma das muitas colectividades que dá o nome, a cara, a camisola, o suor e (até vai parecer frase feita) e as lágrimas, por uma Freguesia, um Concelho, uma Modalidade, um EMBLEMA, e ‘só sentiu frio à ida e na volta tardia à casa, porque lá dentro o calor humano do associativismo tinha sido imenso’”.
E CONCLUI-SE
“Lembrou-se se calhar porque sentiu o que disse. Algumas mentes não pensam assim. Valha-nos a carta do artesão da Cidade das Flores, S. Mamede, ou o postal de Natal dos meninos das escolinhas para se manter o “calor” do porquê de se sentir. Simplesmente assim. Aliás MUITO SIMPLESMENTE porque a maioria das coisas é mesmo isso: SIMPLES!”.
E que o “E”(n)canto se mantenha simples porque “escrevinhar” também começa por “E”.

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quinta-feira, 8 de setembro de 2011

um livro

Apesar de ter mil e um livros por terminar, por começar, por completar, por continuar, por ler e reflectir e assimilar e voltar a ler e aqueles que nunca saíram da estante, e os que não voltam para a estante, e ainda os que não sabem o que é estar numa estante, os que são estante, os por começar, os que aguardam uma oportunidade, os que têm todas as oportunidades do mundo, os que são a oportunidade, apesar de ter mil livros para perceber, ler, assimilar, pousar, e até começar... Hoje comprei um livro novo... Um impulso fortíssimo... "Hoje preferia não me ter encontrado" de Herta Muller, Prémio Nobel da Literatura 2009. Receosa, expectante, a precisar de impulsos, a desejar senti-los, a desesperar por sinais, com os sentidos a latejarem em turbilhão, a querer a custo serenar os elementos todos... Um livro... É só mesmo isso... Não existem entrelinhas, nem segundos sentidos... Intenções?! É mesmo só isso: um L I V R O! Desejem-me Boa Sorte! Vou começar agora. Estou com aquele formigueiro de páginas novas a cheirar a folhinhas novas. Ainda agora tirei o preço (detesto ter literatura entre as mãos que ainda carregue, ainda que sob a forma de etiqueta da Almedina, o traço do capitalismo) e vou começar, contrariando hábitos antigos, pela primeira página. E... E... Desejar... Sonhar... Ansiar... Que chegues entretanto para por termo à ressaca literária. Tantos saltos da prateleira, sou/estou cada vez mais treinada, interpretar-te e aceitar-te. Vamos ler! REPITO: "Não existem entrelinhas!" É mesmo tão simples como isto: um livro!
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C/O (N) T


I heard that you're settled downThat you found a girl and you're married nowI heard that your dreams came trueGuess she gave you things, I didn't give to you

Old friendWhy are you so shyIt ain't like you to hold backOr hide from the light

I hate to turn up out of the blue uninvitedBut I couldn't stay away, I couldn't fight itI hoped you'd see my face and that you'd be remindedThat for me, it isn't over



Never mind, I'll find someone like youI wish nothing but the best for you, tooDon't forget me, I beg, I remember you saidSometimes it lasts in loveBut sometimes it hurts insteadSometimes it lasts in loveBut sometimes it hurts instead, yeah

You'd know how the time fliesOnly yesterday was the time of our livesWe were born and raised in a summery hazeBound by the surprise of our glory days


I hate to turn up out of the blue uninvitedBut I couldn't stay away, I couldn't fight itI hoped you'd see my face and that you'd be remindedThat for me, it isn't over yet

Never mind, I'll find someone like youI wish nothing but the best for you, tooDon't forget me, I beg, I remember you saidSometimes it lasts in loveBut sometimes it hurts instead, yeah

Nothing compares, no worries or caresRegrets and mistakes they're memories madeWho would have known how bitter-sweet this would taste

Never mind, I'll find someone like youI wish nothing but the best for you, tooDon't forget me, I beg, I remembered you saidSometimes it lasts in loveBut sometimes it hurts instead

Never mind, I'll find someone like youI wish nothing but the best for you, tooDon't forget me, I beg, I remembered you saidSometimes it lasts in loveBut sometimes it hurts insteadSometimes it lasts in loveBut sometimes it hurts instead, yeah, yeah

Um Século de histórias para contar…


Como se chega a esta idade?

“Com calma e felicidade, menina”

Elisa Ferreira da Silva, a avó Lisa como carinhosamente é chamada, celebrou 100 anos de vida… Rodeada dos filhos e dos netos, contou o segredo da longevidade…

Pergunta obrigatória: “Como se chega a esta idade?”. Resposta imediata: “Com muita calma e muita felicidade, menina”. Elisa Ferreira da Silva nasceu a 18 de Agosto de 1911. A família nunca trocou Matosinhos e também foi neste Concelho que casou, teve os filhos e os netos que, agora, “porque os tempos mudaram muito”, também já andam por outros lugares…

Filha de António Ferreira da Silva e Maria da Silva Alves, a Dona Elisa conheceu o marido aos 16 anos. Ao pai chamavam “O General” mas ao se encantar de amores por Manuel Paiva Júnior – o Sr. Paiva, chefe dos Correios – nem a alcunha paterna impôs respeito e o casório deu-se em pouco tempo.

Esta é a memória, aos 100 anos de idade que mais tem presente: o momento em que decidiu ser esposa de Manuel Paiva Júnior. “Ele era barbeiro e passava na rua à porta da fábrica onde meu pai trabalhava e engraçou comigo… Eu engracei também… Casei antes de fazer 17 anos. Nessa época era assim. Hoje é que se casa muito tarde. As moças procuram outras coisas antes…”...

Sobre a alcunha do pai, já ajudada pela família que a rodeava em dia de festa, explicou que quando este trabalhava numa conserveira, liderou uma greve de funcionários que reivindicavam mais 20 reis. O patrão terá chegado e perguntado: “Quem manda aqui?” E António Ferreira da Silva terá respondido: “Eu”, sendo de imediato aclamado como “O General”.

Elisa Ferreira da Silva estudou antes de se dedicar por inteiro à vida doméstica e à família. As palavras atrapalham-se na boca na hora de explicar o nome da escola. Seria nas Escolas do Adro ou com a Dona Elvira, professora particular? Talvez ambas as situações.

Estão mais nítidos os passeios com o marido, os filhos e os netos que já vão em quantos? Façamos as contas… A avó Lisa tem: três filhos (“duas meninas” de 80 e 66 anos e “um rapaz” de 81), nove netos, 18 bisnetos e um trineto a caminho.

A maior alegria da Dona Elisa é vê-los por perto. Actualmente mora com uma filha mesmo no coração do Concelho de Matosinhos, mas já esteve em Leça da Palmeira com um neto. De Leça guarda muitas, “talvez das melhores de sempre”, recordações… “As idas à praia… Ai a praia. Ai a paisagem de Leça… Gostava mais de Leça antiga. Agora está moderno. É bonito, mas é diferente”.

A dedicação à família e os passeios foram sempre intervalados pelas horas passadas no quintal e de volta dos arranjos de flores. Para explicar melhor este passatempo, eis que as bisnetas Catarina Cândido e Ana Sofia Cândido se juntam à conversa… Viveram com a avó Lisa e foram responsáveis por muitas travessuras. “A avó arranjava as jarras e as flores e nós destruíamos a seguir”. Mas a serenidade da Dona Elisa nunca se abalava… “Nunca se zangou. Achava graça e fazia de novo”, completaram, antes de rematarem que “passar horas no quintal com a avó era muito bom, muito saudável e divertido”.

Ainda a propósito deste gosto por plantas e jardinagem, eis que a neta mais nova descobre outra das possíveis razões para a longevidade da avó Lisa: “Acordar cedo e ir tratar das flores. Deitar cedo depois de ter brincado com os netos enquanto todos ajudávamos a tirar ervas daninhas”, lembrou Fátima Cândido.

E por falar em brincar com netos e em travessuras… Outra das memórias presentes é uma ida à praia com os pequenitos. Todos usavam roupas iguais. Um deles decidiu fugir e lá vai a avó de barraca em barraca a mostrar a roupa do pequeno – na época com cinco anos, agora homem feito de 46 – e a desesperar por auxílio. “Isso é que foi chorar, menina… Nem imagina a aflição…”.

Atenta à entrevista/conversa de amigAs, está a irmã da Dona Elisa. Maria Fernanda Ferreira da Silva já conta com 92 anos de idade e ainda assim vem todos os dias a pé deste da Av. da República até França Júnior para fazer companhia à irmã e dar uma “folguita” à sobrinha que agora cuida e vive com a nossa matosinhense centenária.

Estará no sangue desta família algum segredo para tanta longevidade e boa disposição? “Não sei mas a vida cheia de felicidade e serenidade é capaz de ajudar”, confidenciou-nos a Dona Maria Fernanda.

E eis que surge mais uma revelação tanto dos tempos de mocinha nova como de namoro: “A mãe gostava muito dos bailes do Orfeão de Matosinhos… Era ou não era? Dançar muito…”, disse-nos Maria Joaquina de Paiva Cândido, confidenciando que tratar da mãe é “um gosto” porque com 100 anos continua “muito serena e tranquila”.

Diversão e alegria não faltaram no passado, nem agora. O dia de aniversário foi preenchido por passeios de manhã: Foz, Senhora da Saúde e Monte de S. Brás, onde todos os anos os Silva Paiva – ou “Generais” por herança do trisavô – faziam um pic-nic de família, foram os destinos de eleição. Para as 18 horas estava agendada uma missa de Acção de Graças na Igreja do Bom Jesus de Matosinhos, onde a avó Lisa casou e baptizou os filhos e netos. E para fechar em beleza o bolo seria aberto e os parabéns cantados num lanche-convívio, onde também participaram todas as gerações da família. (e EU… OBRIGADO!) O David, de um ano e dois meses, “o mais novo por enquanto” dividiu, com a aniversariante, as atenções em dia de festa.

“Sabe menina, sou capaz de morrer depressa agora, mas a verdade é que já vi de tudo e fui muito feliz, muito bem cuidada”, concluiu Elisa Ferreira da Silva com a sinceridade e a felicidade a brotar de dois grandes e lindos olhos azuis.

Morrer depressa? Essa agora?! Olhe que desej(o)amos vê-la e conversar de novo por muitos mais anos.

(+-)
Jornal de Matosinhos_Ago11
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sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Embrulho

Em dias e dias, atrás de dias, dias iguais, dias chamados rotina, dias chamados cansaço, dias de silêncio e dias de gritos, dias desesperados à espera da noite, noites que demoram a ser dias atrás de dias, há momentos de dias que despertam, com uma naturalidade indescritível, o porquê de passarmos e aguentarmos esses dias, antes das noites e tendo consciência de que virão sempre novos dias de gritos, a maioria em silêncio.

Desses momentos, destaque para o fim de tarde de bola que transpira descontracção mental misturada com tensão intelectual. Só a ficha conta. O cronómetro marca o compasso do tempo. Os 90 minutos querem-se como uma espécie de absorção de forças para as próximas horas todas que antecedem o novo fim de tarde de bola.

Mas, a próposito dessa necessidade de ganhar forças e desses momentos de despertar para a necessidade de passar e aguentar todos os silêncios e todos os gritos, destaque para O momento "naturalmente indescritível".
...
Lá em baixo, na garagem, fecha-se a porta com força, qual travessura de gente grande, para dar sinal de vida. Chegou alguém. As escadas vão sendo subidas aos poucos, ora a espreitar, ora a recuar. Chama-se o nome devagarinho e a sussurrar, antes de lançar o nome com força.
E no cimo das escadas, entre as gradezinhas brancas que separam o chão seguro do mergulho preocupante, aquelas mãozinhas pequeninas e um sorriso enorme. O desejo de abrir o obstáculo à força bruta como se não houvesse tempo a perder atrapalha a coordenação dos movimentos através de dedos delicados que querem pressionar o "botão da liberdade" fundida em abraço.
Que sensação de felicidade absorvida através do mais espontâneo e sincero dos sorrisos. Dois olhos enormes a pedir colo, aviões, coceguinhas… Que brilho! Que necessidade de dizer "Obrigado!".
Festinhas nas bochechas e narizinhos de esquimó entre mil animais espalhados pelo chão, porque "hoje é quinta na Quinta". Mil corridas pela sala, antes da brincadeira das cores: pretexto pró "peto" e pró "banco" que formam o "bitoia". Depois do kiwi "vede com olhinhos"…
Com as mãozinhas pequeninas, mas imensas! E os olhinhos a brilhar mesmo por cima do sorriso transparente.
"Uma pernita, duas pernitas, um bracito, dois bracitos, o pijamita do ãoão Salsicha que tem quatro patitas, uma 'etória'…" e a melhor frase do Dia: "BOA NOITE TI PAUINHA!".
..
Após partilha deste(S) Momento(S) – como se as palavras, provavelmente e infelizmente, mal amanhadas e mal inter-ligadas, quiçá nem sequer interpretadas, formassem um embrulho – destaque para absorção, repetida e inevitável, de eternidade, sintetizada na principal frase da NOITE antes do DIA: “BOM FEVEREIRO!”.
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sábado, 25 de dezembro de 2010

Porque me olhas assim

diz-me agora o teu nome
se já dissemos que sim
pelo olhar que demora
porque me olhas assim
porque me rondas assim
toda a luz da avenida
se desdobra em paixão
magias de druida
p’lo teu toque de mão
soam ventos amenos
p’los mares morenos
do meu coração
espelhando as vitrinas
da cidade sem fim
tu surgiste divina
porque me abeiras assim
porque me tocas assim
e trocámos pendentes
velhas palavras tontas
com sotaque diferentes
nossa prosa está pronta
dobrando esquinas e gretas
p’lo caminho das letras
que tudo o resto não conta
e lá fomos audazes
por passeios tardios
vadiando o asfalto
cruzando outras pontes
de mares que são rios
e num bar fora de horas
se eu chorar perdoa
ó meu bem é que eu canto
por dentro sonhando
que estou em Lisboa

dizes-me então que sou teu
que tu és toda p’ra mim
que me pões no apogeu
porque me abraças assim
porque me beijas assim
por esta noite adiante
se tu me pedes enfim
num céu de anúncios brilhantes
vamos casar em Berlim
à luz vã dos faróis
são de seda os lençóis
porque me amas assim


FAUSTO BORDALO DIAS
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Feliz Natal!

Venda de Natal / mostra de trabalhos com materiais recicláveis

do Centro Cultural e de Solidariedade Social, Associação de Desenvolvimento Social e Colégio Novos Rumos,

Freguesia de Guifões - Matosinhos

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Sobre mãos entrelaçadas

Mãos que colam no momento exacto de descolar
Mãos que sangram no momento exacto de suar
Mãos que partem no momento exacto de ficar
Mãos que pecam no momento exacto de pecar, de ficar, de sangrar, de colar e descolar, logo de seguida… Entrelaçadas.
As rugas, os calos, as histórias… As mãos de histórias.
De mãos dadas sempre. De mãos dadas sem estar. De mãos dadas com as histórias. De mãos dadas com A história
As mãos que se cruzam sobre o peito e as mãos que se encontram sobre as costas e as mãos que se perdem sem corpo
Mãos a preto e branco. A dança das mãos.
Sobre a simplicidade de duas mãos entrelaçadas. Sem estar. Só para acompanhar movimentos de mãos que não tocam nunca, por tocarem sempre.
As cores das mãos. As cores entrelaçadas… Como as mãos a preto e branco que descolam no exacto momento de colar e sangram no momento de dançar.
Mãos
Entrelaçadas


Muito simples, bastante rugoso e até pobre... Só mesmo para dar as boas-vindas a Dezembro, esquecer o frio das mãos e partilhar o intérprete que aquece a noite
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domingo, 24 de outubro de 2010

TIC TAC

As senhoras da limpeza que ouvem, num rádio de pilhas, fado vadio. Muito rouco… Muito da alma.
O abraço de duas amigas que se reencontram… Felizes… Expectantes no que a noite terá para lhes oferecer apesar de fria.
Os queques com recheio de mousse mais caros do que o suposto… Mais aconchegantes do que o esperado.
Um sotaque espanhol, não vizinho, certamente de longe, certamente por ser quente, por ser, certamente, mais saudoso… Chile? México? Argentina? Cuba? E as moedas a cair a pedir mais trocos. Palavras quentes / sorriso longo / saudades apertadas
Uma bebé a dar os primeiros passos. Uma mãe sozinha embevecida. Comoção? Solidão? Uma bebé feliz. Passos infantis inseguros. Mãos maternais seguras. Amor!
O casal de namorados que se despede…
Cadeiras de intervalo e intervalos de mensagens trocadas.
Auscultadores de música íntima(os) alheios aos toques de telemóvel longos, persistentes, atrevidos.
Durante passeios lentos na espera. Diante de corridas ofegantes no atraso.
Um velho inclina muito os olhos para espreitar os títulos do jornal já tardio, dentro do quiosque fechado demasiado cedo.
Sono nos olhos e nos lábios de quem fica a dar bilhetes a quem parte. Passageiros nocturnos… Repetirão a passagem?
O último cigarro (depois de muitos: longa espera/ crescente ansiedade) antes de entrar.
Cabeças tombadas sobre malas em repouso. Merecido! Corpos depositados sobre mochilas por desgaste. Conseguido!
((Ontem falamos de livros lidos várias vezes (hoje outra vez – acrescento agora) Falamos de absorver e sentir passagens de forma diferente a cada nova, repetida, leitura))
“Não parece que está rindo? Ria pela boca, e, o que era ainda mais inexplicável, ria pelos olhos pardos também”
Olhos outra vez… Lábios mais uma vez… Os meus olhos também! Os meus lábios sobretudo!
E tu que esperas…
Tic, Tac Tic, Tac
Hoje esperam por mim ()
00h33
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sexta-feira, 8 de outubro de 2010

(ainda) incompleto


“Embalo” foi o nome dado à música. “Embalo” é o nome dado ao acto de “embalar”. Embalar-me-á este estado de alma, este estado de madrugada, este estado de ser e não ser ao mesmo tempo. Embalar-me-á? Podia muito bem começar este “embalo” com uma canção de embalo. Esteve em estado de “embalo” durante semanas o acto em si. E o mote, de embalo, atreveu-se agora a tomar vida. Com A “Canção de Embalar”.
Dizem que “não há festa como esta”. Dizem apaixonadamente. Diziam-me que me apaixonaria também. Disseram-me apaixonados. E demorou. E cumpriu-se. E o acto em si, a reflexão demora, mas cumpre-se. Devagarinho!
“Descoberta” foi o estado de alma transportado para o recinto (grande demais. exageradamente grande) “Liberdade” foi o estado de madrugada recolhido. E ter de regressar à realidade? E ter de voltar a suportar o “peso” da reflexão vagarosa. Contraditório porque não existe, à partida, peso no embalo.
E descobriu-se o sr. Zé que esteve preso quatro anos por fazer um jornal clandestino. E bandeiras com listas (algumas negras) que não escondem o sotaque galego. E descobriu-se a força das mensagens e a força, também é verdade, dos carimbos e dos rótulos. Tantos, a maioria talvez, rótulos orais. Formas simples, à primeira vista, de chamar e cumprimentar. Formas pesadas e complexas, se pensadas, reflectidas. E descobriu-se um livro que falava de sede e de água a jorrar da boca. E tantos discos antigos, colecções, horas que foram pequenas, segundos que pareceram eternidades. O sr. Zé fez da vida uma batalha. Uma batalha ao sabor dos caracteres que ia colocando na sua máquina, mãos cheias de tinta, óculos embaciados de emoção nas linhas que contava, folhas de papel… Folhas de “embalo”. E descobriu-se que há lugar para o folclore e para o jazz e lugar para molhar os pés em dia de muito, muito, muito calor. Às tantas, descobriu-se um jacto de ar fresco novo. Diferente. Descobriu-se depois do sr. Zé e depois da interiorização dos rótulos e depois do livro sobre a sede. Antes dos apontamentos e durante a interiorização das mensagens.
Embalou a primeira madrugada. Tudo a perder? Tudo a ganhar? Tudo a descobrir? Liberdade afinal? Embalou a segunda… Essa mais galega. Perdeu-se muito, mas descobriu-se tanto, sobretudo nas mãos cheias de tinta de um sr. de 70 anos que fazia um jornal, outrora clandestino, com a calma sábia de quem tem convicção da batalha e dá o peito à luta. O embalo do regresso… Dar também o peito à luta. Mas foi de “Liberdade” e não de “Descoberta” que se desenhou o “embalo”, num estado de alma de ser e ser tão pouco ao mesmo tempo, do regresso. Depois daqueles segundos que pareceram a eternidade toda e antes do jacto de ar fresco. Novo. Pesado. E a sede? E o nome que se deu à música? Tinta a mais nas mãos...
Dorme meu menino a estrela d'alva / Já a procurei e não a vi / Se ela não vier de madrugada / Outra que eu souber será p'ra ti / Outra que eu souber na noite escura / Sobre o teu sorriso de encantar / Ouvirás cantando nas alturas / Trovas e cantigas de embalar / Trovas e cantigas muito belas / Afina a garganta meu cantor / Quando a luz se apaga nas janelas / Perde a estrela d'alva o seu fulgor / Perde a estrela d'alva pequenina / Se outra não vier para a render / Dorme qu'inda a noite é uma menina /
Deixa-a vir também adormecer
Zeca Afonso
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segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Café (verdadeiro) da minha rua

“Existia há muito mais de trinta anos… Ainda o Aires dava filmes nas paroquias…”. Para quem não sabe (eu não sabia) “dar filmes” assemelha-se a “projectar”. “Dar filmes nas paroquias” era uma actividade que, nos anos 70 (penso eu… se calhar antes), era muito comum e dava para ganhar uns trocos à parte do emprego diário.
Bem, tudo isto a propósito da notícia que me despertou no fim-de-semana passado e por causa da qual este fim-de-semana dei por mim a fazer a pergunta. “E agora? Tomo café onde?”.

(Falta cheirinho a café nesta "reflexão"... Falta o entusiasmo de querer muito projectar um sentimento. Exige-se sentido prático!)
“Por motivos pessoais, este estabelecimento encontra-se fechado”. O café da minha rua, da minha infância, dos meus fás de cores diferentes a saber a corante e a fazer ranger os dentes, o café dos cafés no sentido literal da palavra porque o café sabia mesmo a café, fechou.
Não vendia jornais, nem tinha guloseimas muito elaboradas, mas tinha uma camisola do Pedro Espinha autografada na parede que ostentava um orgulho que até os mais novos, os filhos dos de sempre e netos dos daquele tempo, percebiam sem nunca terem imaginado que pelo Vitória passou um Pedro Espinha que, só por acaso, frequentava o café da minha rua.
Tinha mesas de bilhar que muito provavelmente viram começar muitos namoros e a rapaziada toda à porta, sentada no asfalto, a fumar cigarros avulso e a comprar Super Bock a meias. E a “menina do colégio” passava e comentava-se que “ela não era de dar treta” ou “que tinha o nariz muito empinado”.

Teve um espanhol que embirrava com os clientes que pediam a colher para mexer o café e não usavam açúcar. O pai da Isabel das explicações de francês e marido da Laurinda que organizava o carro do cortejo da Senhora da Luz.
O café da minha rua, onde todos os primos iam buscar gelados fiado porque “alguém da família há-de vir cá e acertar contas”… Onde ia comprar maços de tabaco para o meu tio, quase escondida, qual cúmplice de travessura de homem já grande…
“Oh Jonny… Hoje são dois… É ou não é? Afinal de contas quando saíres daqui vais tomar café a qualquer lado com teus amigos?” – onde conquistei idade para tomar café, e que café, com o meu pai, sob o olhar atento do meu avô que tomava um carioca de café “compridinho”.
Os mesmos treinadores de bancada de sempre. A “esplanada” improvisada para ver o Sr. do Beco lançar foguetes pela vitória do Vitória (passo redundância).

Tinha uma tômbola com bolinhas coloridas que podiam ser sinónimo de uma caixinha de drajeias ou de um chocolate tamanho familiar.
O café da minha rua… O bom café da minha rua… O S. Miguel. Fechou.
(Não há coerência no uso de pontos entre verbos e nomes próprios que deviam estar ligados… É a tal dificuldade em verbalizar. Casos. Consumados.)

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sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Here

So,
So you think you can tell
Heaven
from Hell,
Blue skies from pain
Can you tell a green field
From a cold steel rail?
A smile from a veil?
Do you think you can tell?
Did they get you to trade
Your heroes for ghosts?
Hot ashes for trees?
Hot air for a cool breeze?
Cold comfort for change?
Did you exchange
A walk on part in the war
For a lead role in a cage?
How I wish, how I wish you were here
We're just two lost souls
Swimming in a fish bowl,
Year after year,
Running over the same old ground.
What have we found?
The same old fears
Wish you were here
...
pink floyd
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