domingo, 19 de abril de 2009
CCVF
sexta-feira, 3 de abril de 2009
DES(re)ENCONTRO
O olhar que me devolve
As ânsias sem idade
Os olhares ao espelho sem piedade
A verdade foge trémula e sem serenidade
Se ele sentisse
Só por uma vez
Que paro quando fala
Que rio quando olha
E coro quando é para mim
E quero que me agarre
Ela nem imagina
Ele nunca me vai ver
Volto a cruzar-me com ela
Fingindo não o ver
E por isso nunca
Ele nunca vai saber
O quanto eu te quero
Ela vai rir-se quando lhe contar
Que um dia quis dar-lhe o mundo
Mas não a soube chamar
O seu cheiro passa solto
E leve como o ar
Ele vai ter um sonho por guardar
O tempo não tem escolha
E a alma passou longe
Adeus! Será que é Adeus?
Eu não te perco mais
Ela nem imagina
Ele nunca me vai ver
Volto a cruzar-me com ela
Fingindo não o ver
E por isso nunca
Ele nunca vai saber
O quanto eu te quero
Se ela pressentisse
O olhar que me devolve
As ânsias sem idade
Os olhares ao espelho sem piedade
A verdade foge trémula e sem serenidade
Se ele sentisse
Só por uma vez
Que paro quando fala
Que rio quando olha
E coro quando é p'ra mim
E quero que me agarre
Ela nem imagina
Ele nunca me vai ver
Volto a cruzar-me com ela
Fingindo não o ver
E por isso nunca
Ele nunca vai saber
O quanto eu te quero
Ela nem imagina
Ele nunca me vai ver
Volto a cruzar-me com ela
Fingindo não o ver
E por isso nunca
Ele nunca vai saber
O quanto eu te quero
REPRESAS
SE SOUBESSE COMO SE CHAMA ISTO QUE AINDA ME DEIXA RESISTIR, NÃO QUEBRAR, NÃO CAIR... TREMER. TREMER! SE CONHECESSE O SEGREDO QUE TÊM AS HORAS, AS LINHAS, OS ENGANOS, OS ATRASOS E AS PRESSAS... COMO EU QUERIA NÃO SENTIR. COMO LUTEI PARA NÃO O SENTIR SALGADO. LUTAR. LUTAR!
"devia saltar e dar-te um beijo agora, agora mesmo, aqui mesmo, à frente dela, de frente para o mundo, contra a tua vontade cravada em ti, contra mim mas a saborear o roubo, levar-te comigo, depois de me deixar ai, contra tudo, saltar agora, roubar-te, por uns segundos...ponho uma mão no teu peito bem enterrada, outra sobre um dos pulsos pregada aos poros, devolver-me, por uns segundos, dar-te um beijo... pare! agora! saltar e ser feliz, por uns segundos"
LUTAR!
...
segunda-feira, 30 de março de 2009
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quinta-feira, 12 de março de 2009
Vamos lá...
Queria escolher um momento ou um espaço que fosse nosso
Queria perpetuar este “nosso” que foi sempre tão espontâneo
Quero que este “nosso” não se perca
Quero que a espontaneidade continue “nossa” também
Escolhi flores (“uma flor para uma flor” – aquela frase feita que fica sempre bem)
Escolhi um espaço de um sítio onde fomos “nossas”
Escolhi perpetuar-nos com o bilhete que nos fez sorrir naquela “nossa” manhã igual a tantas outras que não voltam
Aquele estabelecimento estava fechado espontaneamente e espontaneamente as compras iam sendo feitas sem pressas e com confiança
Como a confiança que devemos ter quando qualquer ciclo se fecha enquanto tudo se desenvolve apesar da pressa
Ouvi dizer que é difícil criar verdadeiras amizades na idade adulta (não sei as palavras exactas da tal teoria)
Espontaneamente fizemos tudo ao contrário
Como nós!
Vamos lá…
Com confiança!!
...
quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009
a propósito de "placas"
Durante um passeio, um impulso, vi esta placa. Já antes dava importância às placas… Sempre gostei de ler o que dizem as placas. Existem placas que contam histórias, placas que falam com as pessoas que passam na rua e pessoas que vão falando com as placas num simples passeio começado por impulso. Depois de descer a Rua da Assunção e antes de subir a Rua 31 de Janeiro, a pensar em direcções e sempre a ceder aos impulsos… Gosto de passeios, placas e conjugações com harmonia. Como os impulsos! E como as direcções...
sábado, 7 de fevereiro de 2009
sentidos a p/b
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Luis Represas
quinta-feira, 29 de janeiro de 2009
CV
Foram três dias de Tarrafal. Conheci o “campo da morte lenta”. Conheci as latrinas, as celas antigas, a suposta solitária, a cantina, os tanques de água. a frigideira! “Como é que se pode transformar um paraíso destes num Campo de Concentração”, disse-me a Cat que tem, e agora sei-o, toda a razão. A professora que dá aulas numa sala do campo de concentração mas não sabe onde está nem que importância teve aquele local para a história do “Ultramar” (aspas). Essa história que também conheço mal. Essa história que muitos devem ter presenciado e sentido naquela suposta solitária. “Suposta” (aspas, novamente). Calar vozes não cala pensamentos. Acrescentar dores não substitui sentimentos. Há que murmurar até que alguém ouça numa qualquer solitária da ala dos cabo-verdianos ou na ala dos angolanos ou na ala dos presos políticos vindos da “Metrópole” (exigem-se aspas). História de uma época que Portugal tem tratando de lembrar, apagando aos poucos. Ou ao contrário! Já em Cabo Verde a palavra “independência” mantém-se presente. Algo dissimulada! “Cabo Verde está em construção há 30 anos”, disse-me o Hélder quando, numa das nossas mini-viagens de carro, lhe perguntava porque existiam tantas casas em cimento e por acabar. “Cabo Verde não pára”, concluiu como quem quer concluir o tema.
Tarrafal: assaltas as memórias e entras dentro das pessoas!
Uma vez tive medo, muito medo, que isto dure muito tempo. Na vez em que só molhei os pés. Molhei a água.
Na Ponta de Atum as pedras afunilaram-me/anularam-me. Deslumbrada com a beleza do espaço/fixada no recorte das rochas. Bonitas pedras/Grandes pedras. Os rapazes saltam para uma gruta e saem do outro lado, assim como na praia do Príncipe saltam do matadouro. A adrenalina deles. O meu nó no estômago. Só de olhar.
A cidade da Praia tem uma beleza autóctone. As casas que parece que não param de nascer e não param de ser construídas porque não pára a construção porque a construção da maior parte das casas está parada e não pára de nascer. Sori explica-me que há muita construção clandestina e Cat explica-me que há confusões sobre de quem são os terrenos, da Câmara, do Estado ou Particulares.
Gosto de ver as pessoas idosas à janela. A pele muito negra e os cabelos muito brancos.
Gosto do banco de jardim da Praça Sofia onde conversei horas com a Cat.
Ainda nos falta falar de tanta coisa porque ainda não falamos de nada e já falamos tanto. Nem sei se comece a falar.
Gosto do Sr. da Foto Tony onde há telefone público para chamadas internacionais a custar 30 escudos.
Também gosto da Lizete que tem duas filhas, a Tifani e a Miriam. 10 e 2 anos. Tem carinha de menina. Pergunta as coisas de forma delicada e vai limpando a casa da Cat timidamente, mas tão familiar, quase em silêncio como se não quisesse perturbar-me a leitura ou o raciocínio. Lizete: delicada, sincera, forte, uma menina que tem duas meninas.
Aqui só encontrei pessoas sinceras e corações abertos.
A Iara, o Sori, o Hélder – o meu Super Guia Favorito –, o Helker. A panela emprestada para fazer bacalhau à brás, ontem quando dei a túnica, provei grogue e viajei para além de uma mesa de bilhar sem hora.
Acho que há diferença entre pessoas bonitas de coração cheio e pessoas bonitas de coração aberto.
Gosto de misturar expressões e palavras: Kasa Bela, Serra Malagueta, Cachupa e Cachupada, Café Sofia, Palmarejo e Bairro Brasil, Búzios com molho de limão na Achada de Santo António, mergulho com a lua cheia na Prainha, Associação Santiago Sul e a “assembleia geral” na Zita, Sucupira.
… Na casa da Elsa, de “A Semana”, mãe da Ritinha que divide comigo a taça de camoca, a Cat dorme e eu observo com leveza…
...E a caminhar descalça pelo Plateau até à tua Rua 5 de Julho...antes e depois...no regresso e à ida ou ao contrário!
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quinta-feira, 4 de dezembro de 2008
Vamos lá contar as armas
tu e eu, de braço dado
nesta estrada meio deserta
não sabemos quanto tempo as tréguas vão durar...
há vitórias e derrotas
apontadas em silêncio
no diário imaginário
onde empilhamos as razões para lutar!
Repreendo os meus fantasmas
ao virar de cada esquina
por espantarem a inocência
quantas vezes te odiei com medo de te amar...
vejo o fundo da garrafa
acendo mais outro cigarro
tudo serve de cinzeiro
quando os deuses brincam é para magoar!
Vamos enganar o tempo
saltar para o primeiro combóio
que arrancar da mais próxima estação!
Para quê fazer projectos
quando sai tudo ao contrário?
Pode ser que, por milagre,
troquemos as voltas aos deuses
Entre o caos e o conflito
a vontade e a desordem
não podemos ver ao longe
e corremos sempre o risco de ir longe demais
somos meros transeuntes
no passeio dos prodígios
somos só sobreviventes
com carimbos falsos nas credenciais
Vamos enganar o tempo...
MESTRE
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quarta-feira, 26 de novembro de 2008
Uma explosão de arte e de sorrisos
matosinhos dos pequeninos (1)
Externato Padre Cruz // Actividades integradas no Projecto “Mil-Escolas” da Águas do Douro e Paiva // 20 de Novembro de 2008 // Pensar a brincar…
sábado, 22 de novembro de 2008
odor
Fui procurando através do calor
Molhei os lábios
A imagem deixou de ser visual
Fechei os olhos
Pernas tensas
Imaginei cenários
Deixei as mãos encontrarem calor por dentro da roupa
Ainda em expectativa
Deixá-las ir
Uma fricção (acho que esse é o termo)
Depois outra
é esse o termo
Sinto-os moles e quentes
Deixar-me ir
Posição
Mais algumas fricções
Perna contraída
Uns círculos
Senti-os rígidos
Pernas vibrantes
Ao fundo e em círculos e ao fundo
Lábios húmidos
Vibrações/fricções
Posicionada para gritar
Boca aberta demais para emitir sons
Língua suspensa
Abri os olhos
Estiquei as pernas
Ao fundo
Vezes compatíveis com gritos
Debruçada em concha
Até descontrair
Ritmadamente
A vibração que obriga os olhos voltarem a fechar-se
Abriram-se
Um suspiro lento e vagaroso
O sangue volta a correr em silêncio
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sexta-feira, 7 de novembro de 2008
Tive medo de não saber defender-te.
E não soube.
De certo modo, já não sei fazê-lo.
E tu sabes que o fazia bem.
Mesmo bem.
A argumentação bruta não me assustava.
Não quando dependia de mim a tua defesa.
Não quando sentia que ia conseguir calar os sussurros.
Mas desta vez tive medo e doeu mais.
Defender-te era, às vezes, uma missão.
Continua a ser. Talvez.
Só que não fui capaz.
E tenho medo que o meu silêncio possa ter-me tornado cúmplice.
Quando agora sou tudo menos cúmplice. Sou só cobarde.
Sou, aliás, o teu novo argumento de defesa.
segunda-feira, 27 de outubro de 2008
TARRAFAL - "o campo da morte lenta"
“Entre os pavilhões A e B, em frente ao portão do Campo, ao fundo, há uma construção diferente de todas as outras (…)”
“(…) um pequeno pavilhão de paredes caiadas a ocre, janela e porta em madeira e cantaria vermelha, dividido em duas pequenas salas, uma de espera para os presos doentes e outra para o consultório médico;
“Era o Posto de Socorro mas também servia de Casa Mortuária, o que estava perfeitamente de acordo com o médico do Campo que mais gostava de assinar certidões de óbito do que tratar dos doentes.”
“Esmeraldo Pais Prata, nomeado médico do Campo de Concentração do Tarrafal por finais de 1936, só em Abril de 1937 se apresentou para dar consulta. Tralheira foi a alcunha com que o conhecíamos e aquela que merecia quem afirmava:
“(…) Não estou aqui para curar, mas para passar certidões de óbito.”
“A dor do doentes do Campo deixava-o indiferente. Pela calada da noite vinha assistir aos espancamentos. O muito ódio que tinha por nós era frio; a medicina, a arma com que feria. E como médico podia atingir-nos de muitas formas.”
Além de médico do Campo, era delegado de Saúde e Administrador do Concelho do Tarrafal
quarta-feira, 22 de outubro de 2008
CV (4)
No Tarrafal. Já no terceiro dia. Domingo de manhã. Pequeno-almoço. Cachupa guisada: milho, feijão, ovo estrelado e linguiça. Eu provei, mas mantenho-me fiel ao pão com manteiga e ao “meia-galão”.
Foi inevitável lembrar-me das sopas de vinho com broa que a Marquinhas Cabreira de Creixomil comia ao pequeno-almoço. Embora a recordação me obrigue a pensar nos contextos. Bem diferentes. E da minha avó a explicar-me: “Usar? Usa-se. Usava-se. É que os velhos do meu tempo são pessoas diferentes deste teu tempo”. Lembrei-me entretanto da vindima da minha mãe. Interessante lembrar-me, aqui, dos “eventos” sociais/agrícolas da minha mãe. Interessante, lembrar-me automáticamente depois de me lembrar da Aninhas. É no dia da vindima da Carvalha, desde que me conheço por gente, que como um ovo estrelado de manhã e vejo o meu pai oferecer vinho a toda a gente quando ainda é quase madrugada. No campo, a caseira, a Bininha, apresenta travessas fartas com carne de porco e de vaca, muitos garfos à volta, um garrafão e uma caneca que vai passando de mão em mão entre escadotes e cestos de uvas. E pensar que antes até havia uma carroça. No tal outro tempo da Aninhas, quando se enchiam dois lagares.
Lembrei-me no Tarrafal, ao pequeno-almoço, entre garfadas que o Hélder me dá a provar e olhares famintos à espera do prato. Depois foi ver o olhar curioso da Cat e a cumplicidade confirmada quando conclui: “Gosto, mas preferia comer ao almoço”.
No Tarrafal já é domingo de manhã. Já se foi a banhos e já se dormiu depois do dia longo de sábado que incluiu o medo às pedras da Ponta de Atum. “Elas não saem do sítio, sabes?” – disse-me o Carlinhos com uma paciência espontânea e dedicada de quem está atento aos movimentos e aos minutos muito longos que antecedem a minha entrada na água.
Aquela água. Aquele mar. Este Tarrafal. Este fim-de-semana. E esta satisfação que vejo nos olhos de quem come uma cachupa guisada pela manhã, em Cabo Verde.
12 de Outubro ..
