(…)
O espirro sacudiu as nuvens e começou a chover.
Choveu durante três dias e a terra voltou a ficar verde.
É por isso que, até hoje, as girafas são amigas das galinhas do mato.
JOSÉ EDUARDO AGUALUSA
...
sexta-feira, 19 de setembro de 2008
terça-feira, 16 de setembro de 2008
"A girafa que comia estrelas" (5)

(...)
Não havendo nuvens também não chove – a savana começou a secar. Era difícil encontrar alguma coisa para comer. As girafas andavam muito fracas. Dona augusta já quase não conseguia caminhar. Olímpia era o único animal, em toda a savana, que continuava gordo.
Podia faltar capim, podia ser difícil encontrar árvores com folhas tenras, mas à noite, no céu, havia sempre estrelas saborosas para comer.
Decidiu então partir à procura de ajuda.
Andou, andou, andou. Andou muito. Uma madrugada acordou com um alegre cacarejar. Abriu os olhos e viu Dona Margarida, lá em cima, pendurada numa nuvem.
Levantou o pescoço e foi ter com ela.
Contou-lhe o que tinha acontecido: na savana não chovia há muito tempo, o capim secara, as árvores tinham perdido as folhas, e os animais estavam a morrer.
O que fazer?
Dona Margarida fechou os olhinhos para pensar melhor.
Pensou com muita força:
“Já sei”, disse, “vamos soprar as nuvens”.
Parecia uma ideia tola, mas Olímpia experimentou e deu certo. As duas juntas, sopraram e sopraram, foram pouco a pouco enchendo de nuvens o céu da savana.
“E agora?”, quis saber Olímpia quando finalmente conseguiram juntar uma boa centena de nuvens mesmo em cima da terra seca.
“O que temos de fazer para que a chuva caia?”
Dona Margarida arrancou uma pena da asa direita e coloco-a no nariz da girafa:
“Agora espirra!”
Olímpia espirrou.
(...)
JOSÉ EDUARDO AGUALUSA
Vi. Vi numa estranha máquina em que apareces a preto a branco. Apareces sobre o aspecto de ondas ora serenas ora rebeldes. Ainda não imagino como és. Nem quero. Prefiro ver-te. E da próxima vez estarás mais nítido. E da próxima vez já te vou ver. E da próxima vez já me vou reservar o direito de imaginar como és. Como vais ser. Embora já sejas a estrelinha mais brilhante da tia. Até já…
...
quarta-feira, 10 de setembro de 2008
A certa altura
… A certa altura, dei por mim a olhar para tudo de olhos arregalados, como eles.
Como se visse patos a brincar na água e cabras e ovelhas a pedir carinhos e pássaros a piar lengalengas pela primeira vez.
A certa altura pensei que era pequenina também e que tinha direito a rir-me com a mesma inocência que lhes via nos sorrisos.
Hoje, os meninos não abraçaram árvores mas só porque estava a chover. Era daquela chuva que não pesa nos ombros,
Como se visse patos a brincar na água e cabras e ovelhas a pedir carinhos e pássaros a piar lengalengas pela primeira vez.
A certa altura pensei que era pequenina também e que tinha direito a rir-me com a mesma inocência que lhes via nos sorrisos.
Hoje, os meninos não abraçaram árvores mas só porque estava a chover. Era daquela chuva que não pesa nos ombros,
nem impede de caminhar, ainda que a passinhos de bebé, mas escorre pela cara e salpica as mãos antes de encher covinhas de nada…
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Sexta-feira // 5 de Setembro (16h00) // Passeio com meninos
da Obra do Padre Grilo (Matosinhos) // Parque Biológico de Gaia
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quinta-feira, 4 de setembro de 2008
porque é iluminado
Eu hoje tive um pesadelo
E levantei atento, a tempo
Eu acordei com medo
E procurei no escuro
Alguém com seu carinho
E lembrei de um tempo...
Porque o passado me traz uma lembrança
De um tempo em que era criança
E o medo era motivo de choro
Desculpa pra um abraço ou um consolo
Hoje eu acordei com medo
Mas não chorei nem reclamei abrigo
Do escuro, eu via um infinito
Sem presente, passado ou futuro
Senti um abraço forte, já não era medo
Era uma coisa sua que ficou em mim
(que não tem fim)
De repente, a gente vê que perdeu
Ou está perdendo alguma coisa
Morna e ingênua que vai ficando no caminho
Que é escuro e frio, mas também bonito
porque é iluminado
Pela beleza do que aconteceu
há minutos atrás
...
Ney Matogrosso
Poema
segunda-feira, 18 de agosto de 2008
domingo, 17 de agosto de 2008
"A girafa que comia estrelas" (4)

(...)
Olímpia e Dona Margarida tornaram-se grandes amigas.
Todas as manhãs quando acordava, com a barriga cheia de estrelas, Olímpia enfiava a cabeça nas nuvens para procurar Dona Margarida.
Como as nuvens correm no céu, por vezes a grande velocidade, Dona Margarida viajava muito. Um dia estava em cima da savana, e no outro podia acordar em Luanda, em Lisboa ou até em Nova Iorque. Lá de cima, das nuvens, espreitava o mundo e tirava as suas conclusões:
“Os homens”, contou ela a Olímpia depois de pensar muito, “os homens são animais estranhos: vivem empoleirados uns em cima dos outros, em grandes galinheiros.
Estão sempre com pressa, correm o tempo todo, como formigas, de um lado para o outro, e acham que são felizes assim”.
Uma bela manhã Olímpia acordou e viu que não havia nuvens. Enquanto o sol brilhou o céu esteve sempre azul. No dia seguinte a mesma coisa e no outro também. Por onde andaria Dona Margarida? Passou-se um mês sem sinal de nuvens.
(…)
...
JOSÉ EDUARDO AGUALUSA
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Olá pequena estrela… Falta um mês… Humm… Talvez mais ou talvez menos para conheceres o solinho do céu. Como tens um nome já, já há muitas pessoas que te conhecem e falam e planeiam e chamam por ti. Tenho uma notícia muito boa para nós: já tens um carrinho pretinho muito bonitinho. Vamos puder passear muito e conhecer histórias e ver coisas bonitas… Continuo a dar-te as boas-vindas assim… Ah e também falo contigo porque a mamã diz que já reconheces sons. Até já estrelinha da tia…
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terça-feira, 12 de agosto de 2008
Às vezes não me lembro logo…
Às vezes não me lembro logo…
19 de Maio (3h00)
Não quis continuar a frase. Era tarde e tive esperança que a sensação não se repetisse.
Mas acontece sempre.
Às vezes é só depois de pensar um bocadinho, outras é no banho. Estou na banheira e começo a acordar, o sorriso matinal acaba ali, debaixo do chuveiro. Paro enquanto a água corre. Deixo os braços caírem, enquanto sinto o corpo gelar, parado debaixo de água cada vez mais quente e lembro-me.
Lembro-me e assimilo, enquanto o coração começa a apertar como se o bombear das artérias significasse a assimilação de uma realidade gelada num corpo a escaldar de vontades.
É assim quando me lembro no banho.
Prefiro lembrar-me deitada, embora isso implique decidir e planear os passos de um dia que sei, ali mesmo, que nunca mais vai acabar.
Tem acontecido menos, mas às vezes só me lembro na rua, depois de inconscientemente te desejar “Bom Dia”, de me vestir a pensar que quero estar bonita para ti, de pegar no perfume e sorrir enquanto o coloco como se fosse um momento de sensualidade matinal entre o corpo que sempre vi como teu e o pensamento que está sempre em ti.
Às vezes não me lembro logo…
Agora, pensando bem, prefiro lembrar-me só mais tarde. Seria perfeito nem lembrar...
Para sorrir o dia todo.
20 de Maio (19h30)
...
19 de Maio (3h00)
Não quis continuar a frase. Era tarde e tive esperança que a sensação não se repetisse.
Mas acontece sempre.
Às vezes é só depois de pensar um bocadinho, outras é no banho. Estou na banheira e começo a acordar, o sorriso matinal acaba ali, debaixo do chuveiro. Paro enquanto a água corre. Deixo os braços caírem, enquanto sinto o corpo gelar, parado debaixo de água cada vez mais quente e lembro-me.
Lembro-me e assimilo, enquanto o coração começa a apertar como se o bombear das artérias significasse a assimilação de uma realidade gelada num corpo a escaldar de vontades.
É assim quando me lembro no banho.
Prefiro lembrar-me deitada, embora isso implique decidir e planear os passos de um dia que sei, ali mesmo, que nunca mais vai acabar.
Tem acontecido menos, mas às vezes só me lembro na rua, depois de inconscientemente te desejar “Bom Dia”, de me vestir a pensar que quero estar bonita para ti, de pegar no perfume e sorrir enquanto o coloco como se fosse um momento de sensualidade matinal entre o corpo que sempre vi como teu e o pensamento que está sempre em ti.
Às vezes não me lembro logo…
Agora, pensando bem, prefiro lembrar-me só mais tarde. Seria perfeito nem lembrar...
Para sorrir o dia todo.
20 de Maio (19h30)
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Património
São paredes repletas de história, histórias sobrepostas sobre camadas de tinta e desenhos... Mobílias que sussurram segredos de quem as tocou... Espelhos que ainda reflectem o vulto singular de dois amantes... Num quarto, uma lareira recorda as vezes que furtivamente se escapuliram os corpos, em calor... Os vitrais fechados suspiram e as janelas semi-abertas transpiram...
Diz-se que a utilização desta casa se tem vindo a suceder como objecto de paixão. Porque, dizem, primeiro foi residência de um casal de apaixonados incompreendidos e, hoje em dia, é símbolo de uma paixão partilhada pelas gentes de Leça da Palmeira.
Esta não é a primeira vez que a Casa de Santiago sofre obras de requalificação, na década de noventa coube ao arquitecto Fernando Távora projectar a adaptação do edifício a museu. O espaço museológico foi inaugurado em 1996.
...
Além de ter séculos de história, a Casa de Santiago sobressai entre o leque de residências transformadas em museu pela sua arquitectura. Trata-se de uma casa ao gosto da sua época, com detalhes revivalistas e eclécticos, misturados com elementos de vários estilos desde o manuelino, neo-barroco e romântico. No fundo, são paredes e tectos com toques de arte diferentes, juntos num todo comum que pede para abrir portas...
(+-)exertos de peça publicada no "Jornal de Matosinhos"
com o título: "Museu reabre em Setembro"_edição de 8 de Agosto
sexta-feira, 1 de agosto de 2008
Valsa de um homem carente
Se alguma vez te parecer
Ouvir coisas sem sentido
Não ligues sou eu a dizer
Que quero ficar contigo
E apenas obedeço
Com as artes que conheço
Ao principio activo que rege desde o começo
E mantêm o mundo vivo
Se alguma vez me vires fazer
Figuras teatrais
Dignas de um palhaço pobre
Sou eu a dançar a mais nobre
Das danças nupciais
E em minhas plumas cardeais
Em todo o meu esplendou
Sou eu, sou eu nem mais
A suplicar o teu amor
É a dança mais pungente
Mão atrás e outra à frente
Valsa de um homem carente
Ouvir coisas sem sentido
Não ligues sou eu a dizer
Que quero ficar contigo
E apenas obedeço
Com as artes que conheço
Ao principio activo que rege desde o começo
E mantêm o mundo vivo
Se alguma vez me vires fazer
Figuras teatrais
Dignas de um palhaço pobre
Sou eu a dançar a mais nobre
Das danças nupciais
E em minhas plumas cardeais
Em todo o meu esplendou
Sou eu, sou eu nem mais
A suplicar o teu amor
É a dança mais pungente
Mão atrás e outra à frente
Valsa de um homem carente
M
...
LAÇOS
Andamos em voltas rectas
Na mesma esfera,
Onde ao menos nos vemos
Porque o fumo passou.
A chuva no chão revela,
Os olhos por trás.
Há que levar o que restou
E o que o tempo queimou.
Tens fios de mais a prender-te as cordas,
Mas podes vir amanha,
Acreditar no mesmo Deus
Tens riscos demais,
A estragar-te o quadro.
Se queres vir amanha,
Acreditar no mesmo Deus
Devolve-me os laços, meu amor!
Devolve-me os laços, meu amor!
Devolve-me os laços, meu amor!
Devolve-me os laços.. .
Andamos em voltas rectas
Na mesma esfera
Mas podes vir amanhã
Se queres vir amanhã
Podes vir amanhã
Tens riscos de mais
A estragar-me a pedra
Mas se vieres sem corpo
À procura de luz
Devolve-me os laços, meu amor!
Devolve-me os laços, meu amor!
Devolve-me os laços, meu amor!
Meu amor
Meu amor...
Na mesma esfera,
Onde ao menos nos vemos
Porque o fumo passou.
A chuva no chão revela,
Os olhos por trás.
Há que levar o que restou
E o que o tempo queimou.
Tens fios de mais a prender-te as cordas,
Mas podes vir amanha,
Acreditar no mesmo Deus
Tens riscos demais,
A estragar-te o quadro.
Se queres vir amanha,
Acreditar no mesmo Deus
Devolve-me os laços, meu amor!
Devolve-me os laços, meu amor!
Devolve-me os laços, meu amor!
Devolve-me os laços.. .
Andamos em voltas rectas
Na mesma esfera
Mas podes vir amanhã
Se queres vir amanhã
Podes vir amanhã
Tens riscos de mais
A estragar-me a pedra
Mas se vieres sem corpo
À procura de luz
Devolve-me os laços, meu amor!
Devolve-me os laços, meu amor!
Devolve-me os laços, meu amor!
Meu amor
Meu amor...
TORANJA
...
gaivota dos alteirinhos
Dança sobre as ondas do mar
gaivota dos Alteirinhos
desperta dia após dia
a vida da praia ainda fria
Plana a seu belo prazer
sobre o caranguejo e o sargo
entre as malandrices de verão
e o sorriso terno do chão
Gaivota dos Alteirinhos
é tão bom ver-te voar
gaivota dos Alteirinhos
nunca deixes de acordar
nunca deixes de acordar
Entre o chilli-out e o transe
a sinfonia dos grilos
um pouco de rock'n'roll
e uma valsinha ao pôr do sol
E finalmente o luar
adormece satisfeita
essa gaivota sereia
nos braços do homem-areia
Gaivota dos Alteirinhos
é tão bom ver-te voar
gaivota dos Alteirinhos
nunca deixes de acordar
nunca deixes de acordar
gaivota dos Alteirinhos
desperta dia após dia
a vida da praia ainda fria
Plana a seu belo prazer
sobre o caranguejo e o sargo
entre as malandrices de verão
e o sorriso terno do chão
Gaivota dos Alteirinhos
é tão bom ver-te voar
gaivota dos Alteirinhos
nunca deixes de acordar
nunca deixes de acordar
Entre o chilli-out e o transe
a sinfonia dos grilos
um pouco de rock'n'roll
e uma valsinha ao pôr do sol
E finalmente o luar
adormece satisfeita
essa gaivota sereia
nos braços do homem-areia
Gaivota dos Alteirinhos
é tão bom ver-te voar
gaivota dos Alteirinhos
nunca deixes de acordar
nunca deixes de acordar
MESTRE OUTRA VEZ
...
Como Nossos Pais
Não quero lhe falar,
Meu grande amor,
Das coisas que aprendi
Nos discos...
Quero lhe contar como eu vivi
E tudo o que aconteceu comigo
Viver é melhor que sonhar
Eu sei que o amor
É uma coisa boa
Mas também sei
Que qualquer canto
É menor do que a vida
De qualquer pessoa...
Por isso cuidado meu bem
Há perigo na esquina
Eles venceram e o sinal
Está fechado prá nós
Que somos jovens...
Para abraçar seu irmão
E beijar sua menina na rua
É que se fez o seu braço,
O seu lábio e a sua voz...
Você me pergunta
Pela minha paixão
Digo que estou encantada
Com uma nova invenção
Eu vou ficar nesta cidade
Não vou voltar pro sertão
Pois vejo vir vindo no vento
Cheiro da nova estação
Eu sei de tudo na ferida viva
Do meu coração...
Já faz tempo
Eu vi você na rua
Cabelo ao vento
Gente jovem reunida
Na parede da memória
Essa lembrança
É o quadro que dói mais...
Minha dor é perceber
Que apesar de termos
Feito tudo o que fizemos
Ainda somos os mesmos
E vivemos
Ainda somos os mesmos
E vivemos
Como os nossos pais...
Nossos ídolos
Ainda são os mesmos
E as aparências
Não enganam não
Você diz que depois deles
Não apareceu mais ninguém
Você pode até dizer
Que eu tô por fora
Ou então
Que eu tô inventando...
Mas é você
Que ama o passado
E que não vê
É você
Que ama o passado
E que não vê
Que o novo sempre vem...
Hoje eu sei
Que quem me deu a idéia
De uma nova consciência
E juventude
Tá em casa
Guardado por Deus
Contando vil metal...
Minha dor é perceber
Que apesar de termos
Feito tudo, tudo
Tudo o que fizemos
Nós ainda somos
Os mesmos e vivemos
Ainda somos
Os mesmos e vivemos
Ainda somos
Os mesmos e vivemos
Como os nossos pais...
Meu grande amor,
Das coisas que aprendi
Nos discos...
Quero lhe contar como eu vivi
E tudo o que aconteceu comigo
Viver é melhor que sonhar
Eu sei que o amor
É uma coisa boa
Mas também sei
Que qualquer canto
É menor do que a vida
De qualquer pessoa...
Por isso cuidado meu bem
Há perigo na esquina
Eles venceram e o sinal
Está fechado prá nós
Que somos jovens...
Para abraçar seu irmão
E beijar sua menina na rua
É que se fez o seu braço,
O seu lábio e a sua voz...
Você me pergunta
Pela minha paixão
Digo que estou encantada
Com uma nova invenção
Eu vou ficar nesta cidade
Não vou voltar pro sertão
Pois vejo vir vindo no vento
Cheiro da nova estação
Eu sei de tudo na ferida viva
Do meu coração...
Já faz tempo
Eu vi você na rua
Cabelo ao vento
Gente jovem reunida
Na parede da memória
Essa lembrança
É o quadro que dói mais...
Minha dor é perceber
Que apesar de termos
Feito tudo o que fizemos
Ainda somos os mesmos
E vivemos
Ainda somos os mesmos
E vivemos
Como os nossos pais...
Nossos ídolos
Ainda são os mesmos
E as aparências
Não enganam não
Você diz que depois deles
Não apareceu mais ninguém
Você pode até dizer
Que eu tô por fora
Ou então
Que eu tô inventando...
Mas é você
Que ama o passado
E que não vê
É você
Que ama o passado
E que não vê
Que o novo sempre vem...
Hoje eu sei
Que quem me deu a idéia
De uma nova consciência
E juventude
Tá em casa
Guardado por Deus
Contando vil metal...
Minha dor é perceber
Que apesar de termos
Feito tudo, tudo
Tudo o que fizemos
Nós ainda somos
Os mesmos e vivemos
Ainda somos
Os mesmos e vivemos
Ainda somos
Os mesmos e vivemos
Como os nossos pais...
ELIS REGINA
...
Leãozinho
Gosto muito de te ver, leãozinho,
Caminhando sob o sol.
Gosto muito de você, leãozinho,
Para desentristecer, leãozinho,
O meu coração tão só,
Basta eu encontrar você no caminho.
Um filhote de leão, raio da manhã,
Arrastando o meu olhar como um imã.
O meu coração é o sol, pai de toda cor,
Quando ele lhe doura a pele ao léu.
Gosto de te ver ao sol, leãozinho,
De te ver entrar no mar,
Tua pele, tua luz, tua juba.
Gosto de ficar ao sol, leãozinho,
De molhar minha juba,
De estar perto de você e entrar numa.
Caminhando sob o sol.
Gosto muito de você, leãozinho,
Para desentristecer, leãozinho,
O meu coração tão só,
Basta eu encontrar você no caminho.
Um filhote de leão, raio da manhã,
Arrastando o meu olhar como um imã.
O meu coração é o sol, pai de toda cor,
Quando ele lhe doura a pele ao léu.
Gosto de te ver ao sol, leãozinho,
De te ver entrar no mar,
Tua pele, tua luz, tua juba.
Gosto de ficar ao sol, leãozinho,
De molhar minha juba,
De estar perto de você e entrar numa.
SEGUNDO MESTRE
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