Às vezes não me lembro logo…
19 de Maio (3h00)
Não quis continuar a frase. Era tarde e tive esperança que a sensação não se repetisse.
Mas acontece sempre.
Às vezes é só depois de pensar um bocadinho, outras é no banho. Estou na banheira e começo a acordar, o sorriso matinal acaba ali, debaixo do chuveiro. Paro enquanto a água corre. Deixo os braços caírem, enquanto sinto o corpo gelar, parado debaixo de água cada vez mais quente e lembro-me.
Lembro-me e assimilo, enquanto o coração começa a apertar como se o bombear das artérias significasse a assimilação de uma realidade gelada num corpo a escaldar de vontades.
É assim quando me lembro no banho.
Prefiro lembrar-me deitada, embora isso implique decidir e planear os passos de um dia que sei, ali mesmo, que nunca mais vai acabar.
Tem acontecido menos, mas às vezes só me lembro na rua, depois de inconscientemente te desejar “Bom Dia”, de me vestir a pensar que quero estar bonita para ti, de pegar no perfume e sorrir enquanto o coloco como se fosse um momento de sensualidade matinal entre o corpo que sempre vi como teu e o pensamento que está sempre em ti.
Às vezes não me lembro logo…
Agora, pensando bem, prefiro lembrar-me só mais tarde. Seria perfeito nem lembrar...
Para sorrir o dia todo.
20 de Maio (19h30)
...
terça-feira, 12 de agosto de 2008
Património
São paredes repletas de história, histórias sobrepostas sobre camadas de tinta e desenhos... Mobílias que sussurram segredos de quem as tocou... Espelhos que ainda reflectem o vulto singular de dois amantes... Num quarto, uma lareira recorda as vezes que furtivamente se escapuliram os corpos, em calor... Os vitrais fechados suspiram e as janelas semi-abertas transpiram...
Diz-se que a utilização desta casa se tem vindo a suceder como objecto de paixão. Porque, dizem, primeiro foi residência de um casal de apaixonados incompreendidos e, hoje em dia, é símbolo de uma paixão partilhada pelas gentes de Leça da Palmeira.
Esta não é a primeira vez que a Casa de Santiago sofre obras de requalificação, na década de noventa coube ao arquitecto Fernando Távora projectar a adaptação do edifício a museu. O espaço museológico foi inaugurado em 1996.
...
Além de ter séculos de história, a Casa de Santiago sobressai entre o leque de residências transformadas em museu pela sua arquitectura. Trata-se de uma casa ao gosto da sua época, com detalhes revivalistas e eclécticos, misturados com elementos de vários estilos desde o manuelino, neo-barroco e romântico. No fundo, são paredes e tectos com toques de arte diferentes, juntos num todo comum que pede para abrir portas...
(+-)exertos de peça publicada no "Jornal de Matosinhos"
com o título: "Museu reabre em Setembro"_edição de 8 de Agosto
sexta-feira, 1 de agosto de 2008
Valsa de um homem carente
Se alguma vez te parecer
Ouvir coisas sem sentido
Não ligues sou eu a dizer
Que quero ficar contigo
E apenas obedeço
Com as artes que conheço
Ao principio activo que rege desde o começo
E mantêm o mundo vivo
Se alguma vez me vires fazer
Figuras teatrais
Dignas de um palhaço pobre
Sou eu a dançar a mais nobre
Das danças nupciais
E em minhas plumas cardeais
Em todo o meu esplendou
Sou eu, sou eu nem mais
A suplicar o teu amor
É a dança mais pungente
Mão atrás e outra à frente
Valsa de um homem carente
Ouvir coisas sem sentido
Não ligues sou eu a dizer
Que quero ficar contigo
E apenas obedeço
Com as artes que conheço
Ao principio activo que rege desde o começo
E mantêm o mundo vivo
Se alguma vez me vires fazer
Figuras teatrais
Dignas de um palhaço pobre
Sou eu a dançar a mais nobre
Das danças nupciais
E em minhas plumas cardeais
Em todo o meu esplendou
Sou eu, sou eu nem mais
A suplicar o teu amor
É a dança mais pungente
Mão atrás e outra à frente
Valsa de um homem carente
M
...
LAÇOS
Andamos em voltas rectas
Na mesma esfera,
Onde ao menos nos vemos
Porque o fumo passou.
A chuva no chão revela,
Os olhos por trás.
Há que levar o que restou
E o que o tempo queimou.
Tens fios de mais a prender-te as cordas,
Mas podes vir amanha,
Acreditar no mesmo Deus
Tens riscos demais,
A estragar-te o quadro.
Se queres vir amanha,
Acreditar no mesmo Deus
Devolve-me os laços, meu amor!
Devolve-me os laços, meu amor!
Devolve-me os laços, meu amor!
Devolve-me os laços.. .
Andamos em voltas rectas
Na mesma esfera
Mas podes vir amanhã
Se queres vir amanhã
Podes vir amanhã
Tens riscos de mais
A estragar-me a pedra
Mas se vieres sem corpo
À procura de luz
Devolve-me os laços, meu amor!
Devolve-me os laços, meu amor!
Devolve-me os laços, meu amor!
Meu amor
Meu amor...
Na mesma esfera,
Onde ao menos nos vemos
Porque o fumo passou.
A chuva no chão revela,
Os olhos por trás.
Há que levar o que restou
E o que o tempo queimou.
Tens fios de mais a prender-te as cordas,
Mas podes vir amanha,
Acreditar no mesmo Deus
Tens riscos demais,
A estragar-te o quadro.
Se queres vir amanha,
Acreditar no mesmo Deus
Devolve-me os laços, meu amor!
Devolve-me os laços, meu amor!
Devolve-me os laços, meu amor!
Devolve-me os laços.. .
Andamos em voltas rectas
Na mesma esfera
Mas podes vir amanhã
Se queres vir amanhã
Podes vir amanhã
Tens riscos de mais
A estragar-me a pedra
Mas se vieres sem corpo
À procura de luz
Devolve-me os laços, meu amor!
Devolve-me os laços, meu amor!
Devolve-me os laços, meu amor!
Meu amor
Meu amor...
TORANJA
...
gaivota dos alteirinhos
Dança sobre as ondas do mar
gaivota dos Alteirinhos
desperta dia após dia
a vida da praia ainda fria
Plana a seu belo prazer
sobre o caranguejo e o sargo
entre as malandrices de verão
e o sorriso terno do chão
Gaivota dos Alteirinhos
é tão bom ver-te voar
gaivota dos Alteirinhos
nunca deixes de acordar
nunca deixes de acordar
Entre o chilli-out e o transe
a sinfonia dos grilos
um pouco de rock'n'roll
e uma valsinha ao pôr do sol
E finalmente o luar
adormece satisfeita
essa gaivota sereia
nos braços do homem-areia
Gaivota dos Alteirinhos
é tão bom ver-te voar
gaivota dos Alteirinhos
nunca deixes de acordar
nunca deixes de acordar
gaivota dos Alteirinhos
desperta dia após dia
a vida da praia ainda fria
Plana a seu belo prazer
sobre o caranguejo e o sargo
entre as malandrices de verão
e o sorriso terno do chão
Gaivota dos Alteirinhos
é tão bom ver-te voar
gaivota dos Alteirinhos
nunca deixes de acordar
nunca deixes de acordar
Entre o chilli-out e o transe
a sinfonia dos grilos
um pouco de rock'n'roll
e uma valsinha ao pôr do sol
E finalmente o luar
adormece satisfeita
essa gaivota sereia
nos braços do homem-areia
Gaivota dos Alteirinhos
é tão bom ver-te voar
gaivota dos Alteirinhos
nunca deixes de acordar
nunca deixes de acordar
MESTRE OUTRA VEZ
...
Como Nossos Pais
Não quero lhe falar,
Meu grande amor,
Das coisas que aprendi
Nos discos...
Quero lhe contar como eu vivi
E tudo o que aconteceu comigo
Viver é melhor que sonhar
Eu sei que o amor
É uma coisa boa
Mas também sei
Que qualquer canto
É menor do que a vida
De qualquer pessoa...
Por isso cuidado meu bem
Há perigo na esquina
Eles venceram e o sinal
Está fechado prá nós
Que somos jovens...
Para abraçar seu irmão
E beijar sua menina na rua
É que se fez o seu braço,
O seu lábio e a sua voz...
Você me pergunta
Pela minha paixão
Digo que estou encantada
Com uma nova invenção
Eu vou ficar nesta cidade
Não vou voltar pro sertão
Pois vejo vir vindo no vento
Cheiro da nova estação
Eu sei de tudo na ferida viva
Do meu coração...
Já faz tempo
Eu vi você na rua
Cabelo ao vento
Gente jovem reunida
Na parede da memória
Essa lembrança
É o quadro que dói mais...
Minha dor é perceber
Que apesar de termos
Feito tudo o que fizemos
Ainda somos os mesmos
E vivemos
Ainda somos os mesmos
E vivemos
Como os nossos pais...
Nossos ídolos
Ainda são os mesmos
E as aparências
Não enganam não
Você diz que depois deles
Não apareceu mais ninguém
Você pode até dizer
Que eu tô por fora
Ou então
Que eu tô inventando...
Mas é você
Que ama o passado
E que não vê
É você
Que ama o passado
E que não vê
Que o novo sempre vem...
Hoje eu sei
Que quem me deu a idéia
De uma nova consciência
E juventude
Tá em casa
Guardado por Deus
Contando vil metal...
Minha dor é perceber
Que apesar de termos
Feito tudo, tudo
Tudo o que fizemos
Nós ainda somos
Os mesmos e vivemos
Ainda somos
Os mesmos e vivemos
Ainda somos
Os mesmos e vivemos
Como os nossos pais...
Meu grande amor,
Das coisas que aprendi
Nos discos...
Quero lhe contar como eu vivi
E tudo o que aconteceu comigo
Viver é melhor que sonhar
Eu sei que o amor
É uma coisa boa
Mas também sei
Que qualquer canto
É menor do que a vida
De qualquer pessoa...
Por isso cuidado meu bem
Há perigo na esquina
Eles venceram e o sinal
Está fechado prá nós
Que somos jovens...
Para abraçar seu irmão
E beijar sua menina na rua
É que se fez o seu braço,
O seu lábio e a sua voz...
Você me pergunta
Pela minha paixão
Digo que estou encantada
Com uma nova invenção
Eu vou ficar nesta cidade
Não vou voltar pro sertão
Pois vejo vir vindo no vento
Cheiro da nova estação
Eu sei de tudo na ferida viva
Do meu coração...
Já faz tempo
Eu vi você na rua
Cabelo ao vento
Gente jovem reunida
Na parede da memória
Essa lembrança
É o quadro que dói mais...
Minha dor é perceber
Que apesar de termos
Feito tudo o que fizemos
Ainda somos os mesmos
E vivemos
Ainda somos os mesmos
E vivemos
Como os nossos pais...
Nossos ídolos
Ainda são os mesmos
E as aparências
Não enganam não
Você diz que depois deles
Não apareceu mais ninguém
Você pode até dizer
Que eu tô por fora
Ou então
Que eu tô inventando...
Mas é você
Que ama o passado
E que não vê
É você
Que ama o passado
E que não vê
Que o novo sempre vem...
Hoje eu sei
Que quem me deu a idéia
De uma nova consciência
E juventude
Tá em casa
Guardado por Deus
Contando vil metal...
Minha dor é perceber
Que apesar de termos
Feito tudo, tudo
Tudo o que fizemos
Nós ainda somos
Os mesmos e vivemos
Ainda somos
Os mesmos e vivemos
Ainda somos
Os mesmos e vivemos
Como os nossos pais...
ELIS REGINA
...
Leãozinho
Gosto muito de te ver, leãozinho,
Caminhando sob o sol.
Gosto muito de você, leãozinho,
Para desentristecer, leãozinho,
O meu coração tão só,
Basta eu encontrar você no caminho.
Um filhote de leão, raio da manhã,
Arrastando o meu olhar como um imã.
O meu coração é o sol, pai de toda cor,
Quando ele lhe doura a pele ao léu.
Gosto de te ver ao sol, leãozinho,
De te ver entrar no mar,
Tua pele, tua luz, tua juba.
Gosto de ficar ao sol, leãozinho,
De molhar minha juba,
De estar perto de você e entrar numa.
Caminhando sob o sol.
Gosto muito de você, leãozinho,
Para desentristecer, leãozinho,
O meu coração tão só,
Basta eu encontrar você no caminho.
Um filhote de leão, raio da manhã,
Arrastando o meu olhar como um imã.
O meu coração é o sol, pai de toda cor,
Quando ele lhe doura a pele ao léu.
Gosto de te ver ao sol, leãozinho,
De te ver entrar no mar,
Tua pele, tua luz, tua juba.
Gosto de ficar ao sol, leãozinho,
De molhar minha juba,
De estar perto de você e entrar numa.
SEGUNDO MESTRE
...
FELICIDADE
Felicidade foi se embora
E a saudade no meu peito ainda mora
E é por isso que eu gosto lá de fora
Porque sei que a falsidade não vigora
A minha casa fica lá de traz do mundo
Onde eu vou em um segundo quando começo a cantar
O pensamento parece uma coisa à toa
mas como é que a gente voa quando começa a pensar
Felicidade foi se embora
E a saudade no meu peito ainda mora
E é por isso que eu gosto lá de fora
Porque sei que a falsidade não vigora
Na minha casa tem um cavalo tordilho
que é irmão do que é filho daquele que o Juca tem
E quando pego meu cavalo e encilho
Sou pior que limpa trilho e corro na frente do trem
Felicidade foi se embora
E a saudade no meu peito ainda mora
E é por isso que eu gosto lá de fora
Porque sei que a falsidade não vigora
A minha casa fica lá de traz do mundo
Onde eu vou em um segundo quando começo a cantar
O pensamento parece uma coisa à toa
mas como é que a gente voa quando começa a pensar
Felicidade foi se embora
E a saudade no meu peito ainda mora
E é por isso que eu gosto lá de fora
Porque sei que a falsidade não vigora
Na minha casa tem um cavalo tordilho
que é irmão do que é filho daquele que o Juca tem
E quando pego meu cavalo e encilho
Sou pior que limpa trilho e corro na frente do trem
E a saudade no meu peito ainda mora
E é por isso que eu gosto lá de fora
Porque sei que a falsidade não vigora
A minha casa fica lá de traz do mundo
Onde eu vou em um segundo quando começo a cantar
O pensamento parece uma coisa à toa
mas como é que a gente voa quando começa a pensar
Felicidade foi se embora
E a saudade no meu peito ainda mora
E é por isso que eu gosto lá de fora
Porque sei que a falsidade não vigora
Na minha casa tem um cavalo tordilho
que é irmão do que é filho daquele que o Juca tem
E quando pego meu cavalo e encilho
Sou pior que limpa trilho e corro na frente do trem
Felicidade foi se embora
E a saudade no meu peito ainda mora
E é por isso que eu gosto lá de fora
Porque sei que a falsidade não vigora
A minha casa fica lá de traz do mundo
Onde eu vou em um segundo quando começo a cantar
O pensamento parece uma coisa à toa
mas como é que a gente voa quando começa a pensar
Felicidade foi se embora
E a saudade no meu peito ainda mora
E é por isso que eu gosto lá de fora
Porque sei que a falsidade não vigora
Na minha casa tem um cavalo tordilho
que é irmão do que é filho daquele que o Juca tem
E quando pego meu cavalo e encilho
Sou pior que limpa trilho e corro na frente do trem
CAETANO VELOSO
...
D. Quixote foi-se embora
Acende mais um cigarro, irmão
inventa alguma paz interior
esconde essas sombras no teu olhar
tenta mexer-te com mais vigor
abre o teu saco de recordações
e guarda só o essencial
o mundo nunca deixou de mudar
mas lá no fundo é sempre igual
E agora, que a lua escureceu
e a guitarra se partiu
D. Quixote foi-se embora
com o amigo que a tudo assistiu
as cores do teu arco-íris
estão todas a desbotar
e o que te parecia uma bela sinfonia
é só mais uma banda a passar
A chuva encharcou-te os sapatos
e não sabes p'ra onde vais
tu desprezavas uma simples fatia
e o bolo inteiro era grande demais
agarras-te a mais uma cerveja
vazia como um fim de verão
perdeste a direcção de casa
com a tua sede de perfeição
Tens um peso enorme nos ombros
os braços que pareciam voar
tu continuas a falar de amor
mas qualquer coisa deixou de vibrar
os teus sonhos de infância já foram
velas brancas ao longo do rio
hoje não passam de farrapos
feitos de medo, solidão e frio
inventa alguma paz interior
esconde essas sombras no teu olhar
tenta mexer-te com mais vigor
abre o teu saco de recordações
e guarda só o essencial
o mundo nunca deixou de mudar
mas lá no fundo é sempre igual
E agora, que a lua escureceu
e a guitarra se partiu
D. Quixote foi-se embora
com o amigo que a tudo assistiu
as cores do teu arco-íris
estão todas a desbotar
e o que te parecia uma bela sinfonia
é só mais uma banda a passar
A chuva encharcou-te os sapatos
e não sabes p'ra onde vais
tu desprezavas uma simples fatia
e o bolo inteiro era grande demais
agarras-te a mais uma cerveja
vazia como um fim de verão
perdeste a direcção de casa
com a tua sede de perfeição
Tens um peso enorme nos ombros
os braços que pareciam voar
tu continuas a falar de amor
mas qualquer coisa deixou de vibrar
os teus sonhos de infância já foram
velas brancas ao longo do rio
hoje não passam de farrapos
feitos de medo, solidão e frio
MESTRE
...
DANCEMOS NO MUNDO
Isto é como tudo
não há-de ser nada
a minha namorada
é tudo que eu queira
mas vive para lá da fronteira
Separam-nos cordas
separam-nos credo
se creio que medos
e creio que leis
nos colam à pele papéis
Tratados, acordos
são pântanos, lodos
Pisemos a pista
é bom que se insista
dancemos no mundo
Eu só queria dançar contigo
sem corpo visível
dançar como amigo
se fosse possível
dois pares de sapatos
levantando o pó
dançar como amigo só
Por ódio passado
que seja maldito
amor favorito
não tem importância
se for é de circunstância
Separam-nos crimes
separam-nos cores
a noite é de horrores
quem disse que é lindo
o sol-posto de um dia findo
Sozinho adormeço
E em teu corpo apareço
Pisemos a pista
é bom que se insista
dancemos no mundo
Eu só queria dançar contigo
sem corpo visível
dançar como amigo
se fosse possível
dois pares de sapatos
levantando o pó
dançar como amigo só
Em passos tão simples
trocar endereços
num mundo de acessos
ar onde sufocas
lugar de supostas trocas
Separam-nos facas
separam-nos fawtas
pai-nossos e datas
e excomunhões
acondicionando paixões
Acenda-se a tua
luz na minha rua
Pisemos a pista
é bom que se insista
dancemos no mundo
Eu só queria dançar contigo
sem corpo visível
dançar como amigo
se fosse possível
dois pares de sapatos
levantando o pó
dançar como amigo só
não há-de ser nada
a minha namorada
é tudo que eu queira
mas vive para lá da fronteira
Separam-nos cordas
separam-nos credo
se creio que medos
e creio que leis
nos colam à pele papéis
Tratados, acordos
são pântanos, lodos
Pisemos a pista
é bom que se insista
dancemos no mundo
Eu só queria dançar contigo
sem corpo visível
dançar como amigo
se fosse possível
dois pares de sapatos
levantando o pó
dançar como amigo só
Por ódio passado
que seja maldito
amor favorito
não tem importância
se for é de circunstância
Separam-nos crimes
separam-nos cores
a noite é de horrores
quem disse que é lindo
o sol-posto de um dia findo
Sozinho adormeço
E em teu corpo apareço
Pisemos a pista
é bom que se insista
dancemos no mundo
Eu só queria dançar contigo
sem corpo visível
dançar como amigo
se fosse possível
dois pares de sapatos
levantando o pó
dançar como amigo só
Em passos tão simples
trocar endereços
num mundo de acessos
ar onde sufocas
lugar de supostas trocas
Separam-nos facas
separam-nos fawtas
pai-nossos e datas
e excomunhões
acondicionando paixões
Acenda-se a tua
luz na minha rua
Pisemos a pista
é bom que se insista
dancemos no mundo
Eu só queria dançar contigo
sem corpo visível
dançar como amigo
se fosse possível
dois pares de sapatos
levantando o pó
dançar como amigo só
SÉRGIO GODINHO
...
domingo, 13 de julho de 2008
"A girafa que comia estrelas" (3)
(…)Um dia, porém, descobriu uma galinha-do-mato que fizera ninho no meio das nuvens.
O ninho estava cheio de objectos brilhantes que a galinha trouxera da terra – três pares de óculos, oito berlindes coloridos, um colar de pérolas, um arco-íris de bolso, um olho de vidro que havia pertencido (dizia ala) ao famoso pirata da perna de pau.
As galinhas-do-mato são muito bonitas, todas pretas com pintinhas brancas, e por isso também lhes chamam galinhas pintadas.
Aquela pareceu a Olímpia ainda mais bonita de que as restantes.
As penas dela brilhavam com luz própria, como se pelo facto de viver tão alto tivesse adquirido um pouco do fulgor do sol.
“Olha lá”, perguntou-lhe Olímpia, admirada, “tu és um anjo?”
Não, era apenas um galinha que gostava de viver nas nuvens. Chamava-se Dona Margarida.
Não era muito inteligente, coitada, mas gostava de pensar.
Pensava, pensava e depois dizia coisas óbvias que já toda a gente sabia, como se ela mesmo as tivesse inventado.
Por exemplo:
“Quem tudo quer tudo perde.”
“Devagar se vai ao longe.”
“Nem tudo o que reluz é oiro.”
Etc. Dizia estas coisas piscando os olhinhos e torcendo a cabeça. Via-se que fazia muita força para pensar.
“E anjos”, insistiu Olímpia, “nunca viste anjos nas nuvens?”
Não, nunca vira.
Mas podia ser que os houvesse. Por vezes ouvia vozes, macias e remotas, vindas de nuvens mais altas e plumas enormes, que não se pareciam com as de uma ave que ela conhecia, caíam lá de cima nas tardes de vento.
(…)
JOSÉ EDUARDO AGUALUSA
Falta mesmo pouquinho tempo, pequena estrela. Sabes, já temos muitos desenvolvimentos… És uma estrelinha menino… O pai e a mãe já escolheram um nome… O avô anda muito feliz e conta a toda a gente que existe a nossa estrelinha e a avó continua a fazer muitos casaquinhos e sapatinhos de cores diferentes e muito bonitos. E tens um quartinho que os tios e a avó ajudaram a montar com um berço que tem ursinhos. E vais ser a estrelinha brilhante da tia, mas tens de te portar bem e deixar a mãe descansar porque dormir quentinho é muito bom e assim podes aproveitar tudinho até ao fim porque já só falta um bocadinho. Ate já pequena estrela… A tia continua a dar-te as boas-vindas assim e nunca se vai esquecer das histórias. Vamos piscar os olhinhos enquanto vemos as nuvens e sentimos o sol?
...
sexta-feira, 11 de julho de 2008
Frio
(disse ela)
Sim. E sentimos o perfume das árvores e o friozinho da pedra.
(respondeu-lhe)
Gostava de ter vivido naquele tempo.
(desabafou)
E viveste. Vivemos, aliás.
(completou)
Sim. E vivemos bem não foi?
(ela, sobretudo ali, tinha medo)
Muito bem, como sempre.
(sossegou-a)
Tens vertigens?
(perguntou, para completar a certeza)
Não. Aqui não. Agora não.
(certeza completa)
E gostas de ouvir os pássaros?
(ela precisava de mais)
Consigo sentir o friozinho da pedra. E gosto dos teus pássaros.
(deu-lhe só um pouco mais)
Sinto o friozinho também. Mas os pássaros e as árvores…
(aproveitou)
Sim. Eu sei…
(disse ele)
FOTO: uma Varanda do Castelo_Berço da Nacionalidade
quarta-feira, 18 de junho de 2008
"O melhor do mundo são as crianças"
Eu queria unir as pedras desavindas
escoras do meu mundo movediço
aquelas duas pedras perfeitas e lindas
das quais eu nasci forte e inteiriço
..
Eu queria ter amarra nesse cais
para quando o mar ameaça a minha proa
e queria vencer todos os vendavais
que se erguem quando o diabo se assoa
..
Tu querias perceber os pássaros
Voar como o Jardel sobre os centrais
Saber por que dão seda os casulos
Mas isso já eram sonhos a mais
..
Conta-me os teus truques e fintas
Será que os Nikes fazem voar
Diz-me o que sabes não me mintas
ao menos em ti posso confiar
..
Agora diz-me agora o que aprendeste
De tanto saltar muros e fronteiras
Olha p'ra mim vê como cresceste
Com a força bruta das trepadeiras
..
Põe aqui a mão e sente o deserto
Tão cheio de culpas que não são minhas
E ainda que nada à volta bata certo
eu juro ganhar o jogo sem espinhas
...
NÃO ME MINTAS
Composição: Carlos Tê
Composição: Carlos Tê
Interprete: Rui Veloso
...
FOTOS: Festa de encerramento da época escolar
...
FOTOS: Festa de encerramento da época escolar
no Centro de Congressos e Desportos de Matosinhos_ Espectáculo
"Conta-me histórias..." da Escola de Teatro Sanctus Mamethus_7600 crianças (EB1/JI)
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