segunda-feira, 4 de fevereiro de 2008

Sobre nascer (e descobrir também)

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Nasci a primeira vez em 28 de Maio de 1922. Isto num domingo. Chamaram-me Sontinho, diminutivo de Sonto. Pela parte da minha mãe, claro. Por parte do meu pai fiquei José.
Aonde? Na Av. do Zichacha entre o Alto Mae e como quem vai para o Xipamanine. Bairros de quem? Bairros de pobres.
Nasci a segunda vez quando me fizeram descobrir que era mulato. A seguir fui nascendo à medida das circunstancias impostas pelos outros. Quando o meu pai foi de vez, tive outro pai: o seu irmão. E a partir de cada nascimento eu tinha a felicidade de ver um problema a menos e um dilema a mais. Por isso, muito cedo, a terra natal em termos de Pátria e de opção. Quando a minha mãe foi de vez, outra mãe: Moçambique.
A opção por causa do meu pai branco e da minha mãe negra.
Nasci ainda mais uma vez no jornal "O Brado Africano". No mesmo em que também nasceram Rui de Noronha e Noemia de Sousa. Muito desporto marcou-me o corpo e o espírito. Esforço, competição, vitória e derrota, sacrifício até à exaustão. Temperado por tudo isso.
Talvez por causa do meu pai, mais agnóstico do que ateu. Talvez por causa do meu pai, encontrando no Amor a sublimação de tudo. Mesmo da Pátria. Ou antes: principalmente da Pátria. Por causa da minha mãe só resignação.
Uma luta incessante comigo próprio. Autodidacta.
Minha grande aventura: ser pai. Depois eu casado. Mas casado quando quis. E como quis.
Escrever poemas, o meu refúgio, o meu país tamém. Uma necessidade angustiosa e urgente de ser cidadão desse país, muitas vezes altas horas da noite

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Depoimento autobiográfico, Janeiro de 1977
José João CRAVEIRINHA

sábado, 2 de fevereiro de 2008

FADO DA PROCURA

Mas porque é que a gente não se encontra
No largo da bica fui-te procurar
Campo de cebolas e eu sem te encontrar
Eu fui mesmo até à casa do fado
Mas tu não estavas em nenhum lado
Mas porque é que a gente não se encontra
Mas porque é que a gente não se encontra
Já estou sem saber o que hei-de fazer
Se seguir em frente ai madre de deus
Se voltar a trás ai chiados meus
E o rio diz que tarde infeliz
Mas porque é que a gente não se encontra
Mas porque é que a gente não se encontra
Já estou farta disto farta de verdade
Vou beber a bica sentar e pensar
Ver se esta saudade ai fica ou não fica
E talvez sem querer não querem lá ver
Sem te procurar te veja passar
Sem te procurar te veja passar

ANA MOURA

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2008

Respirar de manhã











































































































BERÇO COM COR AO SÁBADO DE MANHÃ
Os bacalhaus são dedicados ao mesmo senhor a quem é dedicada a banca dos doces e do pão - pela(s) paciência(s) - e também havia fruta e cor e cheiro (demasiado cheiro até, mas o cheiro nunca é demais ou é?), e havia legumes e carne e peixe (já pouco)... Uma balança aqui e outra ali, a cliente a regatear preços - também sabemos quem regateia - e os pesos e as medidas (há que ter peso e medida!)... Um coelho, vários, que não era branco nem de olhos vermelhos, era um coelho! E galinhas e ovos (? ovos e galinhas ?). As vendedoras do chão e as das bancas, algumas nas lojas, algumas lojas abertas... Sacas de cores, flores de cores - os Amores Perfeitos também têm dono - panos de cores, saias de cores, cabelos brancos e pretos, moedas a tremer nos dedos, frases repetidas (umas felizes, outras conformadas), rótulos, relíquias (num mercado novo quase a estrear), gente de cá, todos de cá, e mais fruta e legumes e feijão, e muitas cores, cheiro e vozes... E acordar de manhã e respirar de manhã, estar em casa e sair acompanhada, aliás a acompanhar... E estar sempre acompanhada…
MERCADO MUNICIPAL DE GUIMARÃES (sábado, 26.jan/08)

quarta-feira, 23 de janeiro de 2008

Terça-feira, 22 de Janeiro de 2008

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Tira a mão do queixo não penses mais nisso
o que lá vai já deu o que tinha a dar
quem ganhou, ganhou e usou-se disso
quem perdeu há-de ter mais cartas p´ra dar
E enquanto alguns fazem figura
outros sucumbem à batota
chega a onde tu quiseres
mas goza bem a tua rota
Enquanto houver estrada p´ra andar
a gente não vai parar enquanto houver estrada p´ra andar
enquanto houver ventos e mar
a gente vai continuar enquanto houver ventos e mar
todos não pagamos por tudo o que usamos
o sistema é antigo e não poupa ninguém
somos todos escravos do que precisamos
reduz as necessidades se queres passar bem
que a dependência é uma besta
que dá cabo do desejo
e a liberdade é uma maluca
que sabe quanto vale um beijo

JORGE PALMA (sempre!)

Uma vez, como um impulso a meio (por acaso até foi no fim) de um texto bem ponderado (como ainda exigia o momento, afinal houve medo desde sempre), escrevi a ultima frase desta letra.
Tinha ouvido a música vezes sem conta. Tinha ouvido a caminho do trabalho. Tinha ouvido em frente ao mar. Tinha ouvido entre lágrimas e sorrisos. Tinha ouvido no quentinho de um café a beber um (o) chã (do aconchego desejado). Tinha ouvido à noite depois de arrumar o quarto da revolta matinal. Tinha ouvido tanto e tantas vezes, sempre embrulhado em emoções diferentes e muito iguais…
Depois lá ficou no texto, em jeito de remate do dia que já era noite.
E como, depois de tantas lágrimas (sentidas pelo medo que o tempo acabasse no minuto seguinte) e de tantos sorrisos, porque é sempre assim que se fica depois de chorar em frente ao mar, tive a certeza… Se te ouvi tantas vezes… Se te ouvi em pranto e tranquila… Mais tarde ou mais cedo regressas e dás-me novo sinal!
Foi (ontem) por volta das 19h00 (e às 23h00 também)
(em jeito de agradecimento aqui fica a letra toda)

sexta-feira, 18 de janeiro de 2008

Escrever sobre histórias…

Hoje, se me pedissem, só escreveria uma história atrasada de um qualquer tema atrasado, porque só me apetece escrever sobre coisas atrasadas no tempo, que ficaram por contar ou mãos por tocar.
Os suspiros foram todos sentidos. Por isso, hoje, agora, vou copiar um artigo para pensar no que está em atraso...


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Depois de um ano de Missão na Guiné-bissau, e de um livro publicado, o pároco António Almiro Mendes prepara-se para voltar a aventurar-se por terras africanas, já que no dia 21 deste mês vai partir, de jipe, rumo a Bissau. A ideia é “oferecer” o jipe à população guineense, um carro que partirá “cheio até ao tecto” e que será “uma mais valia” para a Casa Missão da capital da Guiné, porque… “lá um jipe salva vidas”.

António Almiro Mendes é padre há 18 anos, e no ano passado, pela primeira vez, realizou uma viagem como missionário. O destino pouco importava o pároco de Ramalde que apenas desejava “servir” e “ajudar os mais carenciados”. A Guiné-bissau acabou por ser o país onde António Almiro Mendes foi padre, enfermeiro, construtor civil, barbeiro… “Fiz de tudo, mas os ofícios pouco importam, porque as carências eram tantas”...

“Foi a experiência mais extraordinária que tive, enquanto homem, e enquanto padre. Vivi com um povo que não tem sequer direito ao sofrimento mínimo [em alusão irónica ao rendimento mínimo português] porque sofre ao máximo ou moderadamente conforme a sorte”.

António Almiro Mendes regressou de África como muitas histórias para contar, algumas delas acabaram compiladas no livro “Sinfonia das Palavras Íntimas”, uma espécie de álbum de fotografias e de memórias que revela as dificuldade de um país onde a esperança média de vida é de 43 anos para os homens e 45 anos para as mulheres.

“Na Guiné existe um único carro de bombeiros para o país todo, mas está avariado. Não há água canalizada, nem luz eléctrica. Muitas crianças vivem de comer arroz de dois em dois dias, e nunca viram um branco na vida. Tocam-nos, perguntam como são os meninos de Portugal, pedem e bebem água como se fosse o seu bem mais precioso. E na Guiné, a água é o bem mais precioso”.

O dinheiro angariado com a venda do “Sinfonia das Palavras Íntimas” será para investir em bens de primeira necessidade e para ajudar a pagar o jipe que partirá ainda este mês, atravessando países como Marrocos, Senegal e Mauritânia. O nome do livro, prende-se com a importância da definição “Palavra”: “É a casa do ser. É através da palavra que nos revelamos. Estas palavras são íntimas porque são, exactamente, o que senti”.
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Em atraso...

“Percebi que tinha de estar preparado para tudo. Ganhei força, disse a Deus que estava preparado para morrer e fiquei tranquilo”

“Partir obriga a partirmo-nos por dentro. O que vale é que Deus guarda os fragmentos todos e junta tudo como recompensa”

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“Conversas com Café” // Tertúlia na Paróquia do Padrão da Légua (Matosinhos) // “Ser Cristão e ser Missionário” // Padre António Almiro Mendes, pároco de Ramalde (Porto) // 11 de Janeiro08

quarta-feira, 9 de janeiro de 2008

Pisca...

*A maior Árvore de Natal da Europa,
num domingo ao fim da tarde, em família*

Coisinhas fáceis que sabem bem por serem ideias tão simples…
Luzes sobre carris ou seriam carris com luzes? Uma árvore para uns, outra árvore para outros, e mais luzes e mais carris. Pelo menos pareciam carris…
E pisca aqui e pisca ali e “Vamos dar a volta à árvore”. E afinal passeio não fica para o ano que vem e até se prolonga, porque pisca aqui e pisca ali…
Decide-se pelo metro, porque o passeio prolongado exige lugares sentados, e sobre carris, os olhos esbugalhados (ou estariam ainda ofuscados pelas luzes) quase perdem o momento… “Olha o rio” e olha outra vez as luzes.
“Um lado é mais bonito que o outro”, quando antes os lados nem interessavam, porque antes as luzes eram circulares, e os olhos que agora olham para o lado, arrebitando o pescoço, antes estavam espetados em cima, de nariz à frente, sem olfacto, só sensação visual de um todo.
Curioso é que antes se olhava com a sensação de que o piscar pairava no ar e depois se olhou com a sensação de que os pés estavam na terra e as luzes lá em baixo, como está a árvore na terra, se bem que algumas não estão.
Afinal os pés estavam em cima de tudo, porque o tudo não é mais do que os elementos conjugados debaixo dos pés que pisam carris como se fosse solo duro, depois de terem olhado uma árvore como se voasse à sua volta.
Pisca…
Pisca…
Mas de entre a “maior árvore”, uma ponte com luz, e “um andante” que, sim, “serve para outras vezes e é para guardar”, o que mais piscou foi o olhar da minha mãe e o sorriso cúmplice do meu pai.
Um disfarça, outro não sabe disfarçar e as coisinhas simples sabem bem porque nascem de ideias fáceis de concretizar.


JÁ EM JANEIRO
SEMPRE EM FAMILIA

sexta-feira, 4 de janeiro de 2008

Lágrimas

(Quinta, 3 de Jan/08)

Souberam a fúria, e depois souberam a riso salgado quase envergonhado pela fúria inesperada. Alias, esperada, normal, espontânea, habitual: sentida!
Souberam a querer e não poder estar. Querer sempre, como sempre, como um vicio, como um (o) vicio bom.
Souberam a sentir e desejar e querer e depositar esperanças e depois souberam a raciocínio sorridente e a uma tranquilidade lenta, desta vez húmida também.
Souberam a uma frustração agradecida pela lembrança, porque souberam a contradição.
Souberam bem, como (quase) sempre!
Souberam ao que sabem as lágrimas quentes de um fim de tarde preguiçoso e pensativo.


Mais tarde - o resto - soube bem. E no fim - o tudo - soube a vida!

sábado, 29 de dezembro de 2007

Uma noite como as viagens...

Um senhor em mangas de camisa, apesar de ser noite de Inverno, uma menina enterrada no cachecol e nas luvas, alguns que ignoravam o frio e rodopiavam as fatiotas porque a noite (que não é criança nenhuma) pode estar sempre, conforme a vontade e às vezes a força e outras vezes a necessidade, a começar e a acabar.
A começar e a acabar… havia também os que estão habituados ao cenário e já nem estranham o reboliço, embora, muito atentos, mantenham o ar de que estão a cumprir o seu papel.
Depois entrou um que não sossegava o telemóvel, contra todos os pedidos silenciosos dos outros, aquele que, mais tarde se descobriu, falava com sotaque brasileiro e ainda não sabia o que fazer na noite de Passagem de Ano. As outras já sabiam, até o convidaram, já tinham decidido que não iam dar tréguas à noite. Eram duas, uma, a extrovertida e que conhecia o brasileiro, outra, a tímida que queria conhecer.
Entretanto chegou um menino com o cabelo a tapar os olhos, pouco dado a viagens, estava irrequieto, atento ao movimento dos que cumpriam o seu papel na noite, e atento ao número de paragens que faltavam.
Por fim, um senhor de gorro, ar de estrangeiro, aquele tipo de estrangeiro que é antónimo de turista, cara muito gasta do frio, roupas de trabalho, olhos ávidos de calor, e mãos entrelaçadas a ensaiar o acender da fogueira, assim que chegasse a hora do destino.
Estava tudo composto. Anunciavam-se paragens, atrás de paragens. O primeiro a sair, como se previa foi o rapaz do cabelo estranho e camisa aos quadrados muito larga – passo rápido, a dar a sensação de que não se podia olhar para atrás. Depois saiu o senhor estrangeiro que não precisava, nem necessitava, nem tinha obrigação de olhar para trás. Seguiu-se o brasileiro, esse sim, saiu ainda como se tivesse dentro, com acenos e gestos efusivos, com o ar de quem pede para ser seguido, ou porque se quer uma boa conversa ou porque afinal se partilha a vontade de aprofundar conhecimentos.
A noite que começava para uns, e acabava para outros, como a viagem que acabava para uns e continuava para todos, aqueles que seguiriam com aqueles para quem também começava, estava fria, estava surda, apesar de não estar muda, enquanto permanecia pouco cega.
Chegaram
(a meio)… O senhor em mangas de camisa, que já agora era branca daquele branco que é trocado no roupeiro do trabalho quando o atrasado da hora não obriga a correrias, já tinha o casaco vestido e quase em posição de partida, correu estação fora.
Já a menina das luvas, sonolenta e friorenta demais para correr, acreditou na sua sorte, não desejando, naquele momento, mais sorte do que estalar os dedos e estar quente em casa, mesmo que isso dependesse de mais empenho que não depositava.

Alguém perguntou as horas, e alguém respondeu a custo.
Os da farda azul ficaram-se pela estação nova, elevaram a pose de trabalhadores da noite, cara de gente de respeito, pela gente de respeito.

Os outros seguiram viagem…
E a menina teve sorte ou azar porque ainda esperou mais 10 minutos pelo próximo. E aquilo que antes a impedia de correr, agora fazia-a mover de trás para a frente, como se o frio fosse uma cruz que carregava por não ter direito a outra, por inércia. O senhor que agora estava de casaco azul terminou um telefonema carinhoso, prometendo chegar rápido, e ensaiou duas vezes sentar-se no banco frio. Preferiu estar de pé.
Na espera interminável, e na
chegada (ao fim de linha) ainda houve mais intervenientes, outros nomes (que não se sabem, mas há sempre nomes) porque a noite que começava para uns e acabava para outros, é mesmo assim, como uma carruagem de metro, à sexta-feira à noite, pela uma da manhã, entre Matosinhos e a Trindade, até chegar ao S. João. Com rostos, com histórias, com desejos de partida e de chegada, e com nomes, mesmo que não se saibam quais. Quer dizer, o da menina até se sabe

Tudo...

Olha, sabes aquela história que te contei? Desculpa! Não é verdade.
Não sei porque é que o sentimento, que nem sei se é de culpa ou de alívio, decidiu que era hoje que te confessava tudo. Mas já que estamos em maré de coragem…
Olha, sabes aquilo que te disse e te obriguei acreditar, quanto te pedi que confiasses em mim e em tudo, aquilo que te descrevi como sendo como dizia que era… Sabes? Era mentira. Desculpa!
O meu maior erro foi cair na tentação de lhe inventar um nome. Aliás, não foi um erro, foi o começo de tudo, e não se pode chamar erro aquilo que começa o tudo. Mas, sim, confesso-te, inventei-lhe um nome, pois, e os outros todos também não são verdade, exacto, nem o sobrenome, nem o diminutivo… Desculpa!
Não me perguntes porque o fiz. Pergunta-me antes porque é que não o fiz mais cedo.
E não me julgues também, por favor. Pensa primeiro que, ao te pedir que me desses uma hipótese, estava certa que a merecia, por ter tanta certeza de que a queria, assim como te ia contando. Por isso, não te zangues, nem tens o direito de te zangar. Eu também te dei a hipótese de acreditares em mim.
Pequei? Sim! Porque de todas as vezes tinha um pormenor novo para juntar a tudo. E pecaste! Sabes? Pecaste porque alimentaste a minha busca insaciável de pormenores, de cenários e de construções.

A culpa não é tua, nem nossa, só que também não a queria só para mim.
Olha, sabes que não me arrependo. Desculpa porque te menti, mas é que não consigo arrepender-me. Já tentei! Não consigo! Até sorrio de cada vez que recordo os teus olhos ávidos de mais pormenores, as tuas mãos suadas quase a invejar o que te contava, o teu ar preocupado quando te dizia que a coisa era séria… Desculpa! Não estou a fazer troça de ti, mas também te vais rir, quanto te passar a raiva, disto, de tudo…
Não me posso arrepender. Não, mesmo que mereças tudo (acho que já te tinha dito isso, ou era acreditava que merecias, porque querias) não me arrependo porque aqueles momentos deram-me tudo, e se fiz de ti o que sempre foste mais uma vez (e não me refiro à parte em que confesso a mentira) era porque sabia que estarias à altura de tudo…
Olha, sabes nem eu própria te consigo explicar o que foi aquilo, o porquê daquilo, como é que começou, cresceu, e ganhou as proporções que conheces e que agora te confesso, não são verdade.
Ah… Foi alucinação!
Aliás, o facto de existires é o quê? Tu também és… A alucinação de sempre!
Sabes que mais? Retiro as desculpas! Já viste que sou sempre eu?


...
FOTO: (um bocadinho da) Praia de Vilamoura_Outubro/07
ENQUANTO TENTAVA AGARRAR

domingo, 9 de dezembro de 2007

"Ninguém te pode ajudar"

Tiveste gente de muita coragem
E acreditaste na tua mensagem
Foste ganhando terreno
E foste perdendo a memória

Já tinhas meio mundo na mão

Quiseste impor a tua religião
E acabaste por perder a liberdade
A caminho da glória

Ai, Portugal, Portugal

De que é que tu estás à espera?
Tens um pé numa galera
E outro no fundo do mar
Ai, Portugal, Portugal
Enquanto ficares à espera
Ninguém te pode ajudar

Tiveste muita carta para bater

Quem joga deve aprender a perder
Que a sorte nunca vem só
Quando bate à nossa porta

Esbanjaste muita vida nas apostas

E agora trazes o desgosto às costas
Não se pode estar direito
Quando se tem a espinha torta

Ai, Portugal, Portugal

De que é que tu estás à espera?
Tens um pé numa galera
E outro no fundo do mar
Ai, Portugal, Portugal
Enquanto ficares à espera
Ninguém te pode ajudar

Fizeste cegos de quem olhos tinha

Quiseste pôr toda a gente na linha
Trocaste a alma e o coração
Pela ponta das tuas lanças

Difamaste quem verdades dizia

Confundiste amor com pornografia
E depois perdeste o gosto
De brincar com as tuas crianças

Ai, Portugal, Portugal

De que é que tu estás à espera?
Tens um pé numa galera
E outro no fundo do mar
Ai, Portugal, Portugal
Enquanto ficares à espera
Ninguém te pode ajudar

Ai, Portugal, Portugal

De que é que tu estás à espera?
Tens um pé numa galera
E outro no fundo do mar
Ai, Portugal, Portugal
Enquanto ficares à espera
Ninguém te pode ajudar

LETRA: Portugal, Portugal - Jorge Palma
FOTO: Na Câmara Municipal
(Matosinhos/Dez.07)

"O raio da bagagem"


Mifá
É de um comboio que eu te escrevo,
Mifá
São os teus olhos que eu levo,
Mifá
Dentro dos meus
Vê lá tu

Mifá
O amor nem sempre é brincadeira,
Mifá
Quer a gente queira ou não queira,
Mifá
As coisas são mesmo assim

E toda esta conversa
É só por tu teres vindo comigo
Por termos conseguido chegar juntos ao ninho

Por esses momentos em que eu
Não fui sózinho
Mas depois foi a bagagem
E o inevitável adeus do caminho,
Mifá
Tem cuidado contigo

Mifá
Não vou soluçar por ti,
Mifá
Mas tenho um espaço vazio aqui,
Mifá
No meu coração
Vê lá tu

Mifá
Solamente una
Dói se pensarmos que
Isto é o fim
Mas resta sempre
Alguma coisa
E toda esta conversa
É só por tu teres vindo comigo
Por termos conseguido chegar juntos ao ninho

Por esses momentos em que eu
Não fui sózinho
Mas depois foi a bagagem
E o inevitável adeus do caminho,

Mifá
Tem cuidado contigo
E toda esta conversa
É só por tu teres vindo comigo
Por termos conseguido chegar juntos ao ninho
Por esses momentos em que eu
Não fui sózinho
Mas depois foi a bagagem
E o inevitável adeus do caminho,

Mifá
Tem cuidado contigo
...

LETRA: Mifá - Jorge Palma
FOTO: Aniversário dos 20 anos dos Paços do Concelho
(Matosinhos/Dez.07)

quinta-feira, 6 de dezembro de 2007

A árvore das latinhas


A Casa da Juventude de Matosinhos está a construir uma árvore de Natal, com a utilização de materiais recicláveis. Este ano, a árvore é de latas de conserva, uma vez que esta indústria é considerada o ex-libris do concelho de Matosinhos.

Paralelamente, as turmas do 3º e 4º anos das Escolas EB1 da freguesia de Matosinhos estão a realizar visitas às conserveiras locais: Pinhais, Portugal Norte e La Gôndola.

A inauguração da Árvore de Natal e da exposição “A Juventude com as conserveiras no Natal”, será amanhã (dia 07 de Dezembro) às 16h00, na Casa da juventude de Matosinhos.

Qualquer criança, jovem ou adulto pode participar e ajudar a construir a árvore de Natal amiga da Natureza, só tem de dirigir-se à Casa da Juventude de Matosinhos e colocar uma latinha! (reciclavel ;-)

segunda-feira, 3 de dezembro de 2007

Como o Outono (na perfeição)


Gosto de ti como quem gosta do sábado
Gosto de ti como quem abraça o fogo
Gosto de ti como quem vence o espaço
Como quem abre o regaço
Como quem salta o vazio
Um barco aporta no rio
Um homem morre no esforço
Sete colinas no dorso
E uma cidade p'ra mim
Gosto de ti como quem mata o degredo
Gosto de ti como quem finta o futuro
Gosto de ti como quem diz não ter medo
Como quem mente em segredo
Como quem baila na estrada
Vestido feito de nada
As mãos fartas do corpo
Um beijo louco no Porto
E uma cidade p'ra ti
Enquanto não há amanhã
Ilumina-me
Gosto de ti como uma estrela no dia
Gosto de ti quando uma nuvem começa
Gosto de ti quando o teu corpo pedia
Quando nas mãos me ardia
Como o silêncio na guerra
Beijos de luz e de terra
E num passado imperfeito
Um fogo farto no peito
E o MUNDO longe de nós
Enquanto não há amanhã
Ilumina-me
Ilumina-me
PEDRO ABRUNHOSA
...
Um dia destes (um qualquer, daqueles sem amanhã) tirei esta foto para ti
Para te mostrar o fim do Outono ou a sobrevivência do Outono
Tirei-a porque… Partilhas!
Gosto de partilhar o Outono, a cor do fogo, o dia de Sábado
(que teve manhã, tarde, noite e amanhã)
Porque gosto do MUNDO e tu és o MUNDO
(sempre em nós)
Gosto de ti…
Das cidades, dos sinais, do Porto, e das paixões, e do toque louco no meu peito, e do ardor das minhas mãos que brincam
Ahh e do beijo também

Foi agora que a foto se encaixou (como nós) na perfeição no que ouvi
E o que te digo é tão sincero como o brilho dos teus olhos de menino, apesar das mãos de homem. Como o Outono…

sábado, 24 de novembro de 2007

Sorrisos e olhares... e olhares com sorrisos


Eram muitos
Todos com um sorriso daqueles que contagia o mundo
E um olhar repleto de sonhos
Dizem, entre palmas, dizem-no calados:
“Porque estás triste hoje?”
“Como podes estar triste?”
“Alguma vez me viste triste?”





FOTOS: Inauguração do 11º Juntos pela Arte (22 nov. 07)