Tantas e tantas vezes lhe tenho escrito, sem nunca lhe ter revelado o segredo do meu coração. Conversava consigo, via-o quase todos os dias, trocava impressões sobre livros, cinema, passeios e nunca me atrevia a dizer-lhe o que fosse acerca deste afecto que nasceu dentro de mim, desde a hora em que o vi pela primeira vez.
V. por certo adivinhou, nos mil nadas em que se revela o amor, o que eu há tanto tempo guardo para mim. Não o vai surpreender esta confissão, pois sou obrigada a fazê-la, porque percebo, enfim, que é hora de confessar. Amo-o e amo pela primeira vez!
Ahh você sempre soube?
Mas quis saber qual a impressão que lhe causa a minha pobre confissão, tão oca, mas tão sincera.
Gostaria que me dissesse o que pensa do que lhe digo, para que eu parta se tiver de partir, lute se for esse o caso, mais segura do meu próprio destino.
Apesar dos receios da resposta, e da ansiedade na recíproca, saiba... pretendo lutar e vencer quantos obstáculos se depararem no meu caminho, caso tenha a dita de ser atendida por si, ou para desesperar e viver num inferno, se o meu afecto não for correspondido, tal como desejo que o seja.
Que poder de sedução tem V. para me ter atordoado ao ponto de não ver outra imagem senão a sua, mesmo quando estou longe de si. Sabe? V. domina, maneja como quer os meus destinos, tem o dom diabólico que o fazem senhor de todo o meu ser. E, passa sereno, por ser altivo o seu dom, por entre os míseros mortais que todos somos.
Perdoe o modo ligeiro com que eu mascaro o meu sentir. Sou, por índole, humorista, e disfarço com bom humor tudo o que possa, de longe ou de perto, ter a marca do sofrimento que lhe causo, ter a marca da saudade que a distância me causa, a marca que carregamos como o sangue português que me corre nas veias.
V. não me conhece completamente, mas queira saber que quero que aumente esse conhecimento e que quero, também eu, dar-me, eu própria, a conhecer. Creia-me, creia na sinceridade da minha confissão, e dê tempo ao tempo para que o convença de que, realmente, sou honesta quando me entrego, e lhe mostro que desejo oferecer-lhe uma dedicação sem limites.
É inútil procurar camuflar e encontrar rodeios para lhe dizer que esse fluido misterioso em que meu coração se inebria é, sem dúvida, o prelúdio dum grande amor.
Tenho esperança, porque também esse sentimento me corre nas veias lusitanas, que V. possui uma alma feita para amar. Ora, não pode deixar de aceitar o amor tão espontâneo, tão verdadeiro que, sinceramente, ofereço apaixonada.
Certa que V. terá pena de mim, pena destas horas de agonia e de intranquilidade, e porque vai longa a carta, despeço-me. Saiba que lhe disse pouco do que me vai na alma inquieta, mas acredite na confissão sincera e tenha benevolência por esta exposição.
Sem mais, subscrevo-me com o ardor que a pena me causa entre os dedos, por saber que me exponho a si deliberadamente, mas muito sinceramente e agradecida,
**
sábado, 1 de setembro de 2007
sexta-feira, 31 de agosto de 2007
(ocorreu-me)
Acredito que...
"mais vale tarde que nunca"
Mas...
sinto-me sempre
ATRASADA!
...
(durante uma conferência sobre o futuro das profissões)
domingo, 26 de agosto de 2007
Através do vento

Hoje quis que o vento me levasse até ti
Desejei voar e ser invisível
Poder chegar dar-te um beijo e fugir
Hoje quis ter o dom do toque que sabe a vida
Do toque discreto que sussurra
Quis ser vento para puder voar até ti
Sem que notasses, sem que me visses, deixava-te um beijo e fugia
Não tenho o dom, mas tenho o desejo
E por não conseguir ser vento
Por não saber voar
Hoje depositei um beijo que chegará até ti
O sussurro é do vento, o toque é do beijo e as asas invisíveis procuram o dom que cumpra o desejo
Recebe-me… recebe-me bem
Vou de braços abertos
Desejei voar e ser invisível
Poder chegar dar-te um beijo e fugir
Hoje quis ter o dom do toque que sabe a vida
Do toque discreto que sussurra
Quis ser vento para puder voar até ti
Sem que notasses, sem que me visses, deixava-te um beijo e fugia
Não tenho o dom, mas tenho o desejo
E por não conseguir ser vento
Por não saber voar
Hoje depositei um beijo que chegará até ti
O sussurro é do vento, o toque é do beijo e as asas invisíveis procuram o dom que cumpra o desejo
Recebe-me… recebe-me bem
Vou de braços abertos
Foi a força do desejo que me fez chegar até ti
sábado, 25 de agosto de 2007
Sozinho... à espera
Arrastava-se pela praia queimado pelo sol, a pele já estava gasta, era grossa, exposta aos raios, exposta ao sal. Os dedos até já tinham perdido a conta às feridas, que saravam até ao próximo anzol ferrugento, até à próxima rede rasgada. Arrastava-se pela praia porque já não sabia o que era levantar os pés, grossos e ásperos, e porque a pele conhecia a areia e desconhecia, há muito, o uso de sapatos, ele próprio questionava-lhes o conforto, enterrando ainda mais os pés pesados, na terra molhada. Os colegas do tasco invejavam-lhe a cabeleira grisalha, um cabelo cada vez mais claro e cada vez mais fino, grande e vasto para a idade, sempre penteado de acordo com o sopro do vento e cortado a lamina, por jeito e amizade, por uma das peixeiras, uma das habilidosas, da aldeia. A roupa, trocava-a como se cumprisse um ritual. Traje de trabalho: uns pares de camisolas de lá, calções de botões, e traje de festa (domingueiro, chamado "o de ir à missa"): calças compridas, camisa branca de colarinho esfolado pelos anos de uso, ou azul, muito comprida e larga por seu primeiro dono abastado em gordura.
Os restos de peixe sabiam-lhe, todos os dias, a iguarias preparadas por ninfas do mar, mas eram as mãos grossas e secas, as suas as responsaveis pelo único repasto que lhe dava gozo. Preferia acreditar na qualidade da ementa, e fazia bem. Há umas semanas que o vinho tinha acabado, ou melhor a zurrapa de vinho velho misturado. Restava-lhe o "cheirinho" que tomava para acompanhar o cigarro cravado todos os dias, à mesma hora, ao mesmo "patrão" que só ia ao tasco para ler o jornal do povo, que parecia mal levar para casa.
Calado, gostava pouco de dar nas vistas, chegava discreto e anunciava-se com um quase inaudível "boa noite", pouco dado às cartas, por preferir o silêncio do xadrez, era rápido no jogo, sucinto nas frases trocadas, sôfrego nos goles. Cigarro acendido pelo parceiro, olhos no chão, leve acenar de cabeça, reflectia-se no caminho para casa.
Depois os olhos procuraram qualquer coisa para entreter a falta de sono, a soleira da porta convidou-o a sentar, os que passavam cumprimentavam, alguns com fome de conversa rendiam-se rápido às respostas monossilábicas. Tempo de ver o que as estrelas reservavam para o dia seguinte: "Vai estar bom tempo", atirava para despachar que lhe incomodava a tranquilidade. Era respeitado por saber ler as estrelas e por entender bem as marés. Ainda ajudou o vizinho, o bêbado da rua, a rodar a chave na porta, ouviu gritos, viu luzes acenderem-se e curiosos escondidos atrás de cortinas de renda branca.
Até que, serenada a rua e cansada a vista, deitou-se, não dormiu, há anos que não dormia, mas esqueceu a vida, sonhou (sim, sonhou acordado) com o barco de outrora, com a vida de antes, com a caldeirada de peixe que serviu da última vez que recebeu gente em casa. Boa forma de passar as horas.
Todos os dias, a mesma rotina.
Na sua pose de sempre, sorria uma vez: ao levantar, rezada a lenga-lenga do costume, e mesmo antes de comer e depois de passar agua pelo rosto queimado, sorria… Sorria quando beijava um dos dedos da mão esquerda, o anelar, o que servia de refugio a duas alianças de ouro, muito iguais, mesma gravação. A única, mesmo a única, riqueza que tinha entre quatro paredes com cama, cadeira, fogão… cada vez menos móveis, nada a decorar, além da foto antiga mantida à cabeceira, qual santuario improvisado.
Lembrava-se bem do dia em que tinha trocado o sono e os sonhos com planos, pelo correr das horas entre recordações. Lembrava-se que naquele dia, a sua mão esquerda tinha ganho riqueza, já o coração tinha ficado mais pobre.
Era um novo dia…
Chamavam-lhe o "Velho do Mar da Aldeia de Baixo", nome longo para quem apenas era um homem só que estava à espera.
Os restos de peixe sabiam-lhe, todos os dias, a iguarias preparadas por ninfas do mar, mas eram as mãos grossas e secas, as suas as responsaveis pelo único repasto que lhe dava gozo. Preferia acreditar na qualidade da ementa, e fazia bem. Há umas semanas que o vinho tinha acabado, ou melhor a zurrapa de vinho velho misturado. Restava-lhe o "cheirinho" que tomava para acompanhar o cigarro cravado todos os dias, à mesma hora, ao mesmo "patrão" que só ia ao tasco para ler o jornal do povo, que parecia mal levar para casa.
Calado, gostava pouco de dar nas vistas, chegava discreto e anunciava-se com um quase inaudível "boa noite", pouco dado às cartas, por preferir o silêncio do xadrez, era rápido no jogo, sucinto nas frases trocadas, sôfrego nos goles. Cigarro acendido pelo parceiro, olhos no chão, leve acenar de cabeça, reflectia-se no caminho para casa.
Depois os olhos procuraram qualquer coisa para entreter a falta de sono, a soleira da porta convidou-o a sentar, os que passavam cumprimentavam, alguns com fome de conversa rendiam-se rápido às respostas monossilábicas. Tempo de ver o que as estrelas reservavam para o dia seguinte: "Vai estar bom tempo", atirava para despachar que lhe incomodava a tranquilidade. Era respeitado por saber ler as estrelas e por entender bem as marés. Ainda ajudou o vizinho, o bêbado da rua, a rodar a chave na porta, ouviu gritos, viu luzes acenderem-se e curiosos escondidos atrás de cortinas de renda branca.
Até que, serenada a rua e cansada a vista, deitou-se, não dormiu, há anos que não dormia, mas esqueceu a vida, sonhou (sim, sonhou acordado) com o barco de outrora, com a vida de antes, com a caldeirada de peixe que serviu da última vez que recebeu gente em casa. Boa forma de passar as horas.
Todos os dias, a mesma rotina.
Na sua pose de sempre, sorria uma vez: ao levantar, rezada a lenga-lenga do costume, e mesmo antes de comer e depois de passar agua pelo rosto queimado, sorria… Sorria quando beijava um dos dedos da mão esquerda, o anelar, o que servia de refugio a duas alianças de ouro, muito iguais, mesma gravação. A única, mesmo a única, riqueza que tinha entre quatro paredes com cama, cadeira, fogão… cada vez menos móveis, nada a decorar, além da foto antiga mantida à cabeceira, qual santuario improvisado.
Lembrava-se bem do dia em que tinha trocado o sono e os sonhos com planos, pelo correr das horas entre recordações. Lembrava-se que naquele dia, a sua mão esquerda tinha ganho riqueza, já o coração tinha ficado mais pobre.
Era um novo dia…
Chamavam-lhe o "Velho do Mar da Aldeia de Baixo", nome longo para quem apenas era um homem só que estava à espera.
sexta-feira, 17 de agosto de 2007
Sabe tão bem...

"Vou viver
Ate quando eu não sei
Que importa o que serei
Quero é viver
Amanhã
Espero sempre um amanhã
E acredito que será
Mais um prazer
A vida é sempre uma curiosidade
Que me desperta com a idade
Interessa-me o que está para vir.
E a vida
Em mim é sempre uma certeza
Que nasce da minha riqueza
Do meu prazer em descobrir
Encontrar, renovar, vou fugir ao repetir"
...
António Variações
...
Sabe tão bem sentir
Sabe tão bem receber
Sabe tão bem dar
Sabe tão bem dar e receber
Sentir a mesma cumplicidade
E que o carinho de sempre, por ter sido sempre muito mutuo, existe
Sempre
Seja no Porto, seja entre o Porto e Viseu...
Porque seja como for, sabe muito bem ser adoptada por uma madrinha com um coração tão grande!
Por isso... VAMOS VIVER!
(obrigado pela prendinha ;-)
sábado, 11 de agosto de 2007
SIM, cá estamos nós outra vez
Olá!
Sempre apanhaste o tal comboio?
Eu já perdi dois ou três...
Entre o ócio e as esquinas ganhei o vício da estrada
Nesta outra encruzilhada talvez agora a coisa dê
O passado foi à história, cá estamos nós outra vez!
Conheço a tua cara mas não sei o teu nome
Escrevo já aqui não sei o quê arroba ponto 'com'
Eu vou-te reencontrar noutro bar de estação
Ou talvez quando perder mais um avião
O barco vai de saída, tu estás tão bronzeada
É tão bom ver-te assim ardente... tão queimada
Eu quero reencontrar-te noutra esquina qualquer
Sem saber o teu nome ou se ainda és mulher
Quero reconhecer-te e beber um café
Dizer-te de onde venho e perguntar-te porquê
Sorrir-te cá do fundo e subir os degraus
Eu quero dar-te um beijo a 50 e tal graus!
Sempre apanhaste o tal comboio?
Eu já perdi dois ou três...
Entre o ócio e as esquinas ganhei o vício da estrada
Nesta outra encruzilhada talvez agora a coisa dê
O passado foi à história, cá estamos nós outra vez!
Conheço a tua cara mas não sei o teu nome
Escrevo já aqui não sei o quê arroba ponto 'com'
Eu vou-te reencontrar noutro bar de estação
Ou talvez quando perder mais um avião
O barco vai de saída, tu estás tão bronzeada
É tão bom ver-te assim ardente... tão queimada
Eu quero reencontrar-te noutra esquina qualquer
Sem saber o teu nome ou se ainda és mulher
Quero reconhecer-te e beber um café
Dizer-te de onde venho e perguntar-te porquê
Sorrir-te cá do fundo e subir os degraus
Eu quero dar-te um beijo a 50 e tal graus!
JORGE PALMA
Voo Nocturno
(numa madrugada que esperava a manhã, o amanhã)
Eles MUITO vivos
Sem tempo e sem espaço… Apesar de terem falado, talvez, numa ilha, ou em duas, ou em bocadinhos de uma, ou até nove… Sem tempo e sem espaço… Porque nem o tipo de música sabiam, nem escolheram. Não precisavam, os sentidos guiam-nos sempre, e guiam-nos bem – sim conhecem os instintos, as ambições, as vontades, o querer, o saciar – deles, juntos.
Sem tempo e sem espaço, com confiança nos sentidos guiados pelo toque, pelos lábios, pelo abraço dado na hora exacta, quiçá na hora em que a saia rodada se apresenta com ar tímido, mas assumido, desafiador, nada inocente, diz ele, simplesmente encantado, diz ela… Quiçá na hora em que as mãos se tocam disfarçadamente ou as pernas se cruzam depois de se procurarem como se procuram quando só a troca de olhares não basta… Quiçá no concerto ou na ilha, com música, com árvores, com dança descalça na terra, ou era na água?
Sem tempo e sem espaço… Ela do seu lado direito, ele naturalmente à esquerda, porque ela não sabe estar, com ele, sem estar protegida... Só sabem que, onde ou quando não sabem, só sabem que estão vivos!
FOTO: Óbidos (junho/07) depois de um concerto, antes de uma ilha, sempre e cada vez mais a sentirem que estão vivos
segunda-feira, 6 de agosto de 2007
Equador SEMPRE ao mesmo ritmo

Equador…
Os sons quentes…
Flauta de pau e cavaquinho, a América do Sul corria a rodar a saia de flores, de flores coloridas com pé descalço.
Bato no peito de olhos fechados. Palmas no peito ao ritmo do som quente dos instrumentos de corda, de sopro… de pau…
O ritmo confunde-se com as batidas do (meu) nosso coração, porque as pernas também tremem, também dão dicas, também querem embalos, desta vez embalos na dança quente.
Um espanhol que não domino de ouvido, nem de conhecimento.
Um espanhol que domino de sensação, de vontade, de ansiedade, de certeza que um dia vamos…
Se calhar até dominamos de pretexto, ou talvez de hipótese, porque connosco qualquer coisa é possível, qualquer hipótese, não há pretextos, e até pode ser espanhol, o importante é ir, é ser…
Quero rebolar-me em ti
Quero estar envolvida
Quero ser arrepiada por ti
Quero enrolar-me nos teus braços
Quero perder-me em nós
Quero estar suada, escorregar pela tua pele, ter as tuas mãos a balançar-me as ancas, o meu peito cravado no calor do teu
Quero com força, quero com tudo, quero dentro de mim, quero a ouvir o som quente e a dançar descalça
Ao mesmo ritmo
Vamos dançar no Equador, com o Equador, a ouvir Equador
Ao mesmo ritmo
Os sons quentes…
Flauta de pau e cavaquinho, a América do Sul corria a rodar a saia de flores, de flores coloridas com pé descalço.
Bato no peito de olhos fechados. Palmas no peito ao ritmo do som quente dos instrumentos de corda, de sopro… de pau…
O ritmo confunde-se com as batidas do (meu) nosso coração, porque as pernas também tremem, também dão dicas, também querem embalos, desta vez embalos na dança quente.
Um espanhol que não domino de ouvido, nem de conhecimento.
Um espanhol que domino de sensação, de vontade, de ansiedade, de certeza que um dia vamos…
Se calhar até dominamos de pretexto, ou talvez de hipótese, porque connosco qualquer coisa é possível, qualquer hipótese, não há pretextos, e até pode ser espanhol, o importante é ir, é ser…
Quero rebolar-me em ti
Quero estar envolvida
Quero ser arrepiada por ti
Quero enrolar-me nos teus braços
Quero perder-me em nós
Quero estar suada, escorregar pela tua pele, ter as tuas mãos a balançar-me as ancas, o meu peito cravado no calor do teu
Quero com força, quero com tudo, quero dentro de mim, quero a ouvir o som quente e a dançar descalça
Ao mesmo ritmo
Vamos dançar no Equador, com o Equador, a ouvir Equador
Ao mesmo ritmo
Vou louca… louca… dançar entregue a ti
...
(em noite de Festival de Folclore Internacional a ver o Grupo de Danças Tradicionais Ecuatorianas Agosto/07)
domingo, 29 de julho de 2007
Xailes e guitarras portuguesas

As fadistas tinham xaile,
e os outros tinham guitarras
e os outros tinham guitarras
(uma delas era portuguesa)
e depois começaram as palmas
e os gritos a pedir mais, a elogiar, a mandar piropos…
Veio a fadista da terra
(sorridente, entre amigos)
e depois aquele que também canta ao desafio
Houve fado vadio (como eu gosto)
mas também houve fado do fado
e depois começaram as palmas
e os gritos a pedir mais, a elogiar, a mandar piropos…
Veio a fadista da terra
(sorridente, entre amigos)
e depois aquele que também canta ao desafio
Houve fado vadio (como eu gosto)
mas também houve fado do fado
fado da saudade
fado cá de dentro,
fado sem palmas,
fado sem brilho, só com brio
fado cá de dentro,
fado sem palmas,
fado sem brilho, só com brio
Porque até ouve lagrimas (algumas minhas)
Depois ainda veio a que era "cabeça de cartaz"
aquela que invocou a Diva três vezes
e que cantava de olhos fechados
buscava lá no fundo as notas
que atirava ao público como melodias brutas
E por fim veio o que vive na terra
mas ninguém sabia que cantava
(e cantava bem)
o que fez uma festinha na cara da minha mãe,
Depois ainda veio a que era "cabeça de cartaz"
aquela que invocou a Diva três vezes
e que cantava de olhos fechados
buscava lá no fundo as notas
que atirava ao público como melodias brutas
E por fim veio o que vive na terra
mas ninguém sabia que cantava
(e cantava bem)
o que fez uma festinha na cara da minha mãe,
enquanto cantava "Minha mãe mora no céu"
e gritou, em fado, contra as injustiças da vida… do fado.
Nesta noite... entre fados...
(vi) O sorriso feliz da minha mãe
(ouvi) As letras que me sabiam a lições de vida e (ao) o som da guitarra
(suspirei) A palavra que me lembra tudo o que respiro
(apreciei) Os xailes, acho que me envolvi neles para aquecer a alma
(decorei) Frases que vão ficar bem no artigo desta edição
e gritou, em fado, contra as injustiças da vida… do fado.
Nesta noite... entre fados...
(vi) O sorriso feliz da minha mãe
(ouvi) As letras que me sabiam a lições de vida e (ao) o som da guitarra
(suspirei) A palavra que me lembra tudo o que respiro
(apreciei) Os xailes, acho que me envolvi neles para aquecer a alma
(decorei) Frases que vão ficar bem no artigo desta edição
(descobri) Quero uma casa portuguesa (embora dispense um ou outro elemento de decoração)
No fim... ouvi gritar: "Ser fadista é ser português"
E fechei os olhos em alguns momentos para... desfrutar e acalmar o fado dentro de mim
E dei descanso ao cansaço, descanso à rotina, e descanso à fuga de sempre, através de outra fuga.
...
Noite de Fados // Junta de Freguesia de Guifões // Matosinhos // Sabado, 28 de Julho/07
...
FOTO: Amigo guitarrista na tasta do costume - Guimarães - 15.07.05
Um fado para esta noite
Anda deitar-te,
fiz a cama de lavado
Cheira a alfazema,
o meu lençol de linhado
Pus almofadas com fitas de cor,
Colcha de chita com barras de flor
E à cabeceira, tenho um santo alumiado
Volta esta noite pra mim,
Volta esta noite pra mim,
Canto-te um fado,
no silêncio, se quiseres
Mando recado ao luar,
que se costuma deitar
Ao nosso lado,
pra não vir hoje, se tu vieres
Ponho o meu xaile,
pra te servir de coberta
E um solitário ao pé da janela aberta
Pus duas rosas que estão a atirar
Beijos vermelhos,
sem boca para os dar
Sem o teu corpo,
minha noite está deserta
Volta esta noite pra mim,
Volta esta noite pra mim
Ser agarrada,
por teus braços atrevidos
Quero o teu cheiro sadio,
neste meu quarto vazio,
De madrugada,
beijo os teus lábios adormecidos
Mando recado ao luar, que se costuma deitar,
Ao nosso lado, pra não vir hoje, se tu vieres
fiz a cama de lavado
Cheira a alfazema,
o meu lençol de linhado
Pus almofadas com fitas de cor,
Colcha de chita com barras de flor
E à cabeceira, tenho um santo alumiado
Volta esta noite pra mim,
Volta esta noite pra mim,
Canto-te um fado,
no silêncio, se quiseres
Mando recado ao luar,
que se costuma deitar
Ao nosso lado,
pra não vir hoje, se tu vieres
Ponho o meu xaile,
pra te servir de coberta
E um solitário ao pé da janela aberta
Pus duas rosas que estão a atirar
Beijos vermelhos,
sem boca para os dar
Sem o teu corpo,
minha noite está deserta
Volta esta noite pra mim,
Volta esta noite pra mim
Ser agarrada,
por teus braços atrevidos
Quero o teu cheiro sadio,
neste meu quarto vazio,
De madrugada,
beijo os teus lábios adormecidos
Mando recado ao luar, que se costuma deitar,
Ao nosso lado, pra não vir hoje, se tu vieres
Música e letra: Fernanda Batista
Povo que lavas no rio
Povo que lavas no rio
E talhas com o teu machado
As tábuas do meu caixão.
Pode haver quem te defenda
Quem compre o teu chão sagrado
Mas a tua vida não.
Fui ter à mesa redonda
Bebi em malga que me esconde
O beijo de mão em mão.
Era o vinho que me deste
A água pura, puro agreste
Mas a tua vida não.
Aromas de luz e de lama
Dormi com eles na cama
Tive a mesma condição.
Povo, povo, eu te pertenço
Deste-me alturas de incenso,
Mas a tua vida não.
Povo que lavas no rio
E talhas com o teu machado
As tábuas do meu caixão.
Pode haver quem te defenda
Quem compre o teu chão sagrado
Mas a tua vida não.
E talhas com o teu machado
As tábuas do meu caixão.
Pode haver quem te defenda
Quem compre o teu chão sagrado
Mas a tua vida não.
Fui ter à mesa redonda
Bebi em malga que me esconde
O beijo de mão em mão.
Era o vinho que me deste
A água pura, puro agreste
Mas a tua vida não.
Aromas de luz e de lama
Dormi com eles na cama
Tive a mesma condição.
Povo, povo, eu te pertenço
Deste-me alturas de incenso,
Mas a tua vida não.
Povo que lavas no rio
E talhas com o teu machado
As tábuas do meu caixão.
Pode haver quem te defenda
Quem compre o teu chão sagrado
Mas a tua vida não.
Música: Fado Victoria
Letra: Pedro Homem de Melo
Uma casa portuguesa
Numa casa portuguesa fica bem
pão e vinho sobre a mesa.
Quando à porta humildemente bate alguém,
senta-se à mesa co'a gente.
Fica bem essa fraqueza, fica bem,
que o povo nunca a desmente.
A alegria da pobreza
está nesta grande riquezade dar, e ficar contente.
Quatro paredes caiadas,
um cheirinho à alecrim,
um cacho de uvas doiradas,
duas rosas num jardim,
um São José de azulejo
sob um sol de primavera,
uma promessa de beijos
dois braços à minha espera...
É uma casa portuguesa, com certeza!
É, com certeza, uma casa portuguesa!
No conforto pobrezinho do meu lar,
há fartura de carinho.
A cortina da janela e o luar,
mais o sol que gosta dela...
Basta pouco, poucochinho p'ra alegrar
uma existência singela...
É só amor, pão e vinho
e um caldo verde, verdinho
a fumegar na tigela.
Quatro paredes caiadas,
um cheirinho à alecrim,
um cacho de uvas doiradas,
duas rosas num jardim,
um São José de azulejo
sob um sol de primavera,
uma promessa de beijos
dois braços à minha espera...
É uma casa portuguesa, com certeza!
É, com certeza, uma casa portuguesa!
pão e vinho sobre a mesa.
Quando à porta humildemente bate alguém,
senta-se à mesa co'a gente.
Fica bem essa fraqueza, fica bem,
que o povo nunca a desmente.
A alegria da pobreza
está nesta grande riquezade dar, e ficar contente.
Quatro paredes caiadas,
um cheirinho à alecrim,
um cacho de uvas doiradas,
duas rosas num jardim,
um São José de azulejo
sob um sol de primavera,
uma promessa de beijos
dois braços à minha espera...
É uma casa portuguesa, com certeza!
É, com certeza, uma casa portuguesa!
No conforto pobrezinho do meu lar,
há fartura de carinho.
A cortina da janela e o luar,
mais o sol que gosta dela...
Basta pouco, poucochinho p'ra alegrar
uma existência singela...
É só amor, pão e vinho
e um caldo verde, verdinho
a fumegar na tigela.
Quatro paredes caiadas,
um cheirinho à alecrim,
um cacho de uvas doiradas,
duas rosas num jardim,
um São José de azulejo
sob um sol de primavera,
uma promessa de beijos
dois braços à minha espera...
É uma casa portuguesa, com certeza!
É, com certeza, uma casa portuguesa!
Música: V. M. Sequeira; Artur Fonseca
Nem às paredes confesso
Não queiras gostar de mim
Sem que eu te peça,
Nem me dês nada que ao fim
Eu não mereça
Vê se me deitas depois
Culpas no rosto
Eu sou sincera
Porque não quero
Dar-te um desgosto
De quem eu gosto
nem às paredes confesso
E nem aposto
Que não gosto de ninguém
Podes rogar
Podes chorar
Podes sorrir também
De quem eu gosto
Nem às paredes confesso.
Quem sabe se te esqueci
Ou se te quero
Quem sabe até se é por ti
que eu tanto espero.
Se gosto ou não afinal
Isso é comigo,
Mesmo que penses
Que me convences
Nada te digo.
Sem que eu te peça,
Nem me dês nada que ao fim
Eu não mereça
Vê se me deitas depois
Culpas no rosto
Eu sou sincera
Porque não quero
Dar-te um desgosto
De quem eu gosto
nem às paredes confesso
E nem aposto
Que não gosto de ninguém
Podes rogar
Podes chorar
Podes sorrir também
De quem eu gosto
Nem às paredes confesso.
Quem sabe se te esqueci
Ou se te quero
Quem sabe até se é por ti
que eu tanto espero.
Se gosto ou não afinal
Isso é comigo,
Mesmo que penses
Que me convences
Nada te digo.
Música: Ferrer Trindade, Artur Ribeiro
Letra: Maximiano de Sousa
Intérprete: Amália Rodrigues
terça-feira, 24 de julho de 2007
Chama-se esperar
Depois de ter visto (porque sim) na ultima vez que fui ao cinema a apresentação do filme que demorou vinte anos "a fazer", depois de 18 temporadas e 400 episódios, e mesmo lutando contra mim própria, porque não gosto de lhes chamar "a família mais divertida da televisão" – continuo fiel aos "Flinstones" – depois de um artigo na "Visão" que faz a ronda pelo intelecto de cada um dos amarelinhos, e de hoje (ontem à hora de almoço) ter trocado mil coisas importantes para fazer por uma página do "Público" com testemunhos e descrições sobre a antestreia do filme em Springfield, depois de ter dado por mim a procurar fotos do Homer, da Lisa, do Bart, da Marge, e da minha preferida a Maggie, na net às duas da manhã… e depois de não me terem enviado mensagem a confirmar as minhas mil tentativas de ganhar bilhetes para a antestreia em Portugal (quarta-feira à noite estarei totalmente "amarela" de raiva de quem me disser que conseguiu), enfim… acho que a isto se chama esperar por alguma coisa.
sexta-feira, 20 de julho de 2007
O Meu Amor Existe (mestre)
O meu amor tem lábios de silêncio
E mãos de bailarina
E voa como o vento
E abraça-me onde a solidão termina
O meu amor tem trinta mil cavalos
A galopar no peito
E um sorriso só dela
Que nasce quando a seu lado eu me deito
O meu amor ensinou-me a chegar
Sedento de ternura
Sarou as minhas feridas
E pôs-me a salvo para além da loucura.
O meu amor ensinou-me a partir
Nalguma noite triste
Mas antes, ensinou-me
A não esquecer que o meu amor existe.
E mãos de bailarina
E voa como o vento
E abraça-me onde a solidão termina
O meu amor tem trinta mil cavalos
A galopar no peito
E um sorriso só dela
Que nasce quando a seu lado eu me deito
O meu amor ensinou-me a chegar
Sedento de ternura
Sarou as minhas feridas
E pôs-me a salvo para além da loucura.
O meu amor ensinou-me a partir
Nalguma noite triste
Mas antes, ensinou-me
A não esquecer que o meu amor existe.
JORGE PALMA
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