Acredito que...
"mais vale tarde que nunca"
Mas...
sinto-me sempre
ATRASADA!
...
(durante uma conferência sobre o futuro das profissões)
Numa noite de insónia, ao som de Pixinguinha e com o "Cidades Invisíveis", de Italo Calvino, na mesa-de-cabeceira (porque o titulo do capitulo do livro era mesmo esse e o acaso é o melhor conselheiro do destino) eis que nasce AS CIDADES E OS SINAIS... um espaço dedicado a ti... por mim, mas primeiro e sempre por ti.




Depois de ter visto (porque sim) na ultima vez que fui ao cinema a apresentação do filme que demorou vinte anos "a fazer", depois de 18 temporadas e 400 episódios, e mesmo lutando contra mim própria, porque não gosto de lhes chamar "a família mais divertida da televisão" – continuo fiel aos "Flinstones" – depois de um artigo na "Visão" que faz a ronda pelo intelecto de cada um dos amarelinhos, e de hoje (ontem à hora de almoço) ter trocado mil coisas importantes para fazer por uma página do "Público" com testemunhos e descrições sobre a antestreia do filme em Springfield, depois de ter dado por mim a procurar fotos do Homer, da Lisa, do Bart, da Marge, e da minha preferida a Maggie, na net às duas da manhã… e depois de não me terem enviado mensagem a confirmar as minhas mil tentativas de ganhar bilhetes para a antestreia em Portugal (quarta-feira à noite estarei totalmente "amarela" de raiva de quem me disser que conseguiu), enfim… acho que a isto se chama esperar por alguma coisa.
Às vezes dou por mim, na ausência sem distância, a tomar forma na cama. A forma que sei ser das sensações boas de embalo partilhado (e que agora sei serem também das pequenas explosões). Perna para cima, leve rodar de cabeça na procura do olfacto de sempre, o ouvido também procura sentir que “estás vivo”, a há bocas que se cruzam entre sonhos, aliás nem sei se a sonhar ou acordada, trocam-se sabores, e novo fôlego para o resto daquela que é mesmo a melhor conselheira, e neste caso, a melhor cúmplice das certezas, das mais verdadeiras (sempre leal, sem inventar desculpas). Às vezes dou por mim a entrelaçar-me em mim própria, e a mimar um corpo que já não é meu, por ser nosso, por exigir prolongar-se. Os dedos até percorrem as curvas e os olhos piscam, cientes que nunca estão sozinhos, felizes adormecem numa paz escura iluminada. Nessas noites tenho a certeza que sorrio, mesmo sem ter ninguém que me confirme, sei, senti a certeza espontânea do corpo que procurou e sentiu, a certeza verdadeira, leal. Às vezes dou por mim a pensar sem saber se estou desperta, e outras a querer abandonar os pensamentos para poder agarrar os sonhos inconscientes e sentir que não há mesmo distância. Às vezes e sempre, entre saudades que querem dizer-me o contrario, o corpo também me dá sinais, os gestos também me dão as dicas, e não há ausência.